ter 19 abr 2011
História: Começa a Discussão das Exigências da Itália na Conferência de Versalhes
Posted by Silvana G. P. under História
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Fonte: Opera Mundi
Em 19 de abril de 1919, um sábado antes da Páscoa, tensas e complicadas negociações começam na Conferência de Paz de Versalhes sobre as exigências territoriais da Itália no território que na época formava o Império Austro-Húngaro.
A Itália havia concordado em entrar na Primeira Guerra Mundial na primavera de 1915 após a Entente Cordiale – aliança entre França e Grã Bretanha – ter prometido satisfazer seu sonho nacional de entregar-lhe o controle indiscutível sobre as terras em torno de sua fronteira norte, inclusive a região do Tirol, onde então muitos italianos viviam.
Quando o Tratado de Londres – redigido em abril de 1915, comprometendo a Itália a se juntar à Guerra ao lado dos Aliados – os Aliados concederam-lhe muito mais territórios austro-húngaros, inclusive partes da Dalmácia e numerosas ilhas ao longo da costa do Mar Adriático, bem como o porto albanês de Vlore, Valona em italiano, e parte do Império Otomano.
A delegação italiana em Paris, chefiada pelo primeiro ministro Vittorio Orlando, argumentou desde o início da conferência que consideravam o Tratado de Londres um documento solene que deveria ser contemplado nos acordos que ditariam a paz.
Os britânicos e os franceses se arrependeram amargamente de ter feito tais promessas. Achavam que a Itália havia contribuído muito pouco para a vitória aliada. Seu Exército postergou a entrada em ação e pôs a perder seu ataque contra a Áustria-Hungria, seus navios não honraram o compromisso de patrulhar o Mar Mediterrâneo e o Mar Adriático, e seu governo pediu reiteradamente aos outros aliados recursos que então recusaram a aplicar no esforço de guerra.
A formação em dezembro de 1918 de um Estado iugoslavo causou mais tensão ainda entre a Itália e seus aliados. A Grã Bretanha e a França apoiavam esse novo Estado e queriam que a Itália compreendesse que suas antigas reivindicações sobre territórios do sul da Eslávia e da Dalmácia não faziam mais sentido. O governo italiano, pressionado pela opinião pública interna, não estava disposto a abandonar suas exigências, tendo manifestado firme oposição ao reconhecimento da Iugoslávia. Paris e Londres viram-se relutantemente obrigados a honrar o Tratado de Londres.
O então presidente norte-americano Woodrow Wilson (1913-1921), contudo, via as coisas de maneira distinta. Ele proclamou que os Estados Unidos não dariam aval a nenhum tratado secreto, embora os termos do tratado lhe tivessem sido mostrados durante a guerra, dizendo agora que não se lembrava de tê-los examinado. Agarrou-se firmemente a sua declarada defesa da autodeterminação dos iugoslavos, recusando-se a se curvar a muitas das demandas italianas, inclusive, com exagero, à reivindicação sobre Fiume, uma pequena cidade portuária no Mar Adriático, onde os eslavos superavam ligeiramente a população italiana.
As negociações foram abertas em 19 de abril com a intenção de se estender no máximo por seis dias. Orlando se manteve firme, alertando os outros delegados da possibilidade de uma guerra civil na Itália se suas exigências não fossem atendidas. Apontou para a escalada dos conflitos entre o Partido Socialista e a direita nacionalista com seus “esquadrões de combate armados” (fasci di combattimenti).



