História


Fonte: Opera Mundi
 

A Catedral de São Basílio, um dos principais pontos turísticos de Moscou, na Rússia, está comemorando nesta terça-feira (12/07) o seu aniversário de 450 anos. Localizada na Praça Vermelha, a Catedral Ortodoxa Russa começou a ser construída em 1555 e seis anos depois foi fundada.

A ordem da construção da catedral foi feita por Ivã IV da Rússia e visava celebrar a conquista de Cazã e Astracã. A Catedral foi um marco arquitetônico da capital russa e por anos foi o edifício mais alto de Moscou, perdendo o posto para o Campanário de Ivã, em 1600. A escolha do nome, São Basílio se deve ao fato da catedral estar localizada sobre a tumba do santo. A localização exata do túmulo é bem em frente à Torre Spasskaya.

A Catedral de São Basílio é, desde 1990, parte do conjunto do Kremlin e da Praça Vermelha, Patrimônio Mundial da UNESCO, o órgão das Nações Unidas voltado para a Educação, Ciência e Cultura.

E para celebrar tal data, o Google lançou um doodle especial, com uma ilustração do prédio.

Fonte: Opera Mundi
 

Em 18 de maio de 1935, morre T.E. Lawrence, conhecido mundialmente como Lawrence da Arábia, piloto-mecânico reformado da Royal Air Force (força aérea britânica), vivendo sob um pseudônimo. Este legendário personagem foi heroi de Guerra, escritor e expert sobre temas árabes. Sucumbiu aos ferimentos recebidos num desastre de motocicleta cinco dias antes.

Thomas Edward Lawrence nasceu em Tremadoc, no País de Gales, em 1888. Em 1896, sua família mudou-se para Oxford. Lawrence estudou arquitetura e arqueologia. Viajou em 1909 para a Síria e Palestina, então controladas pelo Império Otomano (Turquia) em trabalhos de arqueologia. Em 1911, ganhou uma bolsa de estudos, juntando-se a uma expedição que iria fazer uma pesquisa arqueológica num antigo povoado Hitita, às margens do rio Eufrates. Trabalhou durante três anos e em seu tempo livre viajou e estudou o idioma árabe. Em 1914, explorou a península do Sinai, perto da fronteira da Arábia, controlada pelo Império Otomano e do Egito, controlado pelo Império Britânico. Os mapas que Lawrence e seus colegas elaboraram tiveram um imediato valor estratégico assim que estourou a guerra entre o Reino Unido e o Império Otomano em outubro de 1914.

Lawrence alistou-se no exército britânico e, devido à sua perícia em assuntos árabes, foi indicado para trabalhar no Cairo como oficial de inteligência. Passou mais de um ano no Egito processando informações de inteligência e em 1916 acompanhou um diplomata inglês à Arábia, onde Hussein ibn Ali, o emir de Meca, havia proclamado uma revolta contra o governo turco. Lawrence convenceu seus superiores a apoiar a rebelião de Hussein. Foi então enviado para juntar-se ao exército árabe comandado por Faiçal, filho de Hussein, como oficial de ligação.

Sob a orientação de Lawrence, os árabes desencadearam uma verdadeira Guerra de guerrilhas contra as linhas turcas. Ele se revelou como um talentoso estrategista militar e passou a ser enormemente admirado pelo povo beduíno da Arábia. Em julho de 1917, as forças árabes capturaram Aqaba perto da península do Sinai juntando-se às tropas britânicas em marcha sobre Jerusalém. Lawrence foi promovido ao posto de tenente-coronel. Em novembro, foi capturado pelos turcos enquanto realizava uma ação de reconhecimento atrás das linhas inimigas vestido com trajes árabes, sendo torturado e abusado sexualmente antes de conseguir escapar. Voltou a juntar-se ao seu exército, que lentamente avançada rumo ao norte em direção a Damasco, que finalmente caiu em outubro de 1918.

A Arábia foi libertada, mas a esperança de Lawrence que a península poderia buscar a unificação como uma só nação foi defraudada quando o funcionalismo árabe passou ao primeiro plano depois da tomada de Damasco. Lawrence, exausto e decepcionado regressou à Inglaterra. Sentindo que o governo britânico havia exacerbado as rivalidades entre as distintas seitas árabes, compareceu diante do rei Jorge V e polidamente recusou as medalhas que lhe eram oferecidas.

Após a guerra, pressionou duramente pela independência dos países árabes e apareceu na Conferência de Paris em trajes árabes. Tornou-se algo como uma figura legendária ainda em vida. Em 1922 recusou indicações a altos postos bem pagos da administração britânica para se alistar na Royal Air Force sob o nome que passara a adotar John Hume Ross. Acabara de concluir sua monumental memória de guerra, Os Sete Pilares da Sabedoria, e tinha esperança de livrar-se de sua fama para reunir material para um novo livro. Descoberto pela imprensa, foi demitido. Mas em 1923 tratou de se alistar como soldado raso no Corpo de Blindados do Exército Britânico sob outro adotado nome, T.E. Shaw, uma referência ao seu amigo, o escritor irlandês George Bernard Shaw. Em 1925, Lawrence juntou-se novamente a RAF e dois anos mais tarde mudou legalmente seu último sobrenome para Shaw.

Em 1927, uma versão resumida de suas memórias foi publicada e gerou uma tremenda publicidade, mas a imprensa mostrou-se incapaz de localizá-lo (estava servindo numa base na Índia). Em 1929, retornou à Inglaterra e passou os seis anos seguintes escrevendo e trabalhando como mecânico da RAF. Em 1932, sua tradução para o inglês da Odisseia de Homero foi publicada sob a autoria de T.E. Shaw. O Mint, uma versão adaptada do treinamentos para recrutas da RAF só foi publicada em 1955 devido aos detalhes ali descritos.

Em fevereiro de 1935, Lawrence foi afastado da RAF indo para sua modesta casa de campo em Clouds Hill, Dorset. Em 13 de maio, feriu-se gravemente quando dirigia sua motocicleta nas aforas de Dorset. Deu uma guinada em seu veículo para evitar atropelar dois ciclistas. Morreu em 18 de maio no hospital de campanha de sua ex-RAF. Na verdade, todos os britânicos prantearam seu falecimento.

Fonte: Opera Mundi
 

Um senátus-consulto, que na França, durante o Consulado, o Primeiro e Segundo Impérios, era uma decisão com força de lei que emanava do Senado, estabelece em 18 de maio de 1804 o Império e promulga a Constituição do Ano XII. Napoleão Bonaparte troca seu título de Primeiro Cônsul para o de Imperador. É a recompensa que lhe conferem os franceses por ter restabelecido a paz sem sacrificar as conquistas da Revolução. Ele seria coroado pelo papa Pio VII na catedral de Notre Dame de Paris em 2 de dezembro do mesmo ano.

Tela de Jacques-Louis David "A Coroação de Napoleão", exposta no Museu do Louvre

Tela de Jacques-Louis David "A Coroação de Napoleão", exposta no Museu do Louvre

A Constituição do Ano VIII outorgava o poder a Bonaparte por dez anos como Primeiro-Cônsul. Em 1802, o Senado sugere que seu mandato se torne vitalício. Bonaparte impõe então que se vote em plebiscito um senátus-consulto pré-existente, que já previa a vitaliciedade de seu cargo, obtendo, ademais, o direito de nomear seu sucessor. O senátus-consulto é aceito pelo povo, aplainando o caminho para a monarquia.

A Constituição do Ano X diminui ainda mais o poder das assembléias e aumenta o poder do Senado no plano legislativo.

Desde fevereiro de 1800, Bonaparte reside nas Tulherias, onde vai progressivamente instalando uma corte cada vez mais complexa, sobretudo depois de 1802. Ele passa a viajar pelas províncias, o que lembra o cerimonial das visitas reais do Antigo Regime. Desta forma, Bonaparte deseja afirmar o Estado em um país cujos dirigentes, durante dez anos, não tiveram identidade visual.

Em 24 de dezembro de 1800, uma bomba é preparada para eliminar o Primeiro Cônsul, mas só explode alguns segundos depois da passagem do coche onde ele se encontra. Bonaparte escapa ileso. Fouché, Ministro da Polícia, consegue provar que o atentado foi causado pelos realistas, embora Bonaparte estivesse persuadido que a culpa era dos Jacobinos.

Bonaparte estende sua influência sobre a Suíça, impondo-lhe as atuais instituições descentralizadas, e sobre a Alemanha. Os ingleses declaram guerra à França a pretexto de uma disputa sobre a ilha de Malta, organizando a Terceira Coalizão e insuflando a oposição realista.

Bonaparte reage mandando sequestrar, em solo estrangeiro, Louis Henri de Conde, Duque de Enghien, que se declarara herdeiro do trono francês, determinando sua execução depois de um simulacro de julgamento. O Duque é fuzilado em 23 de março de 1804. Em 18 de maio do mesmo ano, no palácio de Saint Cloud, é proclamado o Império Francês.

Bonaparte convertera-se próprio numa instituição, a Constituição anterior o mencionava explicitamente. Acreditavam que ele seria o garantidor da ordem, que se perderia com seu eventual desaparecimento. Entendiam que se seu carisma fosse transmitido a um título ficariam asseguradas as conquistas da revolução. As primeiras moedas imperiais ainda traziam a inscrição “Napoleão Imperador – República Francesa”.

Napoleão é coroado Imperador dos Franceses em 2 de dezembro de 1804. Sua sagração foi um espetáculo montado. O Imperador não foi a Roma para ser ungido pelo Papa, como os imperadores costumavam fazer. Ele obrigou Pio VII a ir a Paris para a cerimônia. A própria coroação foi ainda mais singular. Napoleão tomou o diadema nas mãos e coroou-se a si mesmo, de frente para o público e de costas para o Papa. Depois, colocou a coroa na imperatriz Josefina. O Papa limitou-se a proclamar “Vivat Imperator in aeternum!”. Esta encenação, destinada a demonstrar que Napoleão devia seu título a si mesmo e a mais ninguém, havia sido prévia e minuciosamente acertada com Pio VII, que, portanto, não foi pego de surpresa, como reza a lenda. À véspera da coroação, Napoleão chamou o tabelião que havia desaconselhado Josefina a casar-se com ele e mostrando-lhe a espada de Carlos Magno e o manto da coroação, disse-lhe: “Lembra-se do conselho que deu a Josefina? Pois bem, eis minha espada e meu manto”.

Napoleão incorporou símbolos que remetiam a Roma imperial, aos reis merovíngios e a Carlos Magno: as águias e abelhas que se vêem no brasão imperial são ecos deste passado com o qual se tenta criar um vínculo sólido.

Fonte: Opera Mundi

Em 17 de maio de 1885 o chefe apache Gerônimo foge pela segunda vez em dois anos da reserva indígena do Arizona, provocando pânico entre os colonos da região.

Famoso curandeiro e chefe da tribo apache Chiricahua, Gerônimo conquistou fama nacional por ser o último indígena norte-americano a se render formalmente às autoridades dos Estados Unidos. Por cerca de 30 anos, Gerônimo e seus seguidores resistiram às tentativas dos americanos brancos de retirar-lhe a terra-mãe do sudoeste do país para confiná-los numa reserva. Ele era um guerreiro intrépido e mestre em sobrevivência no deserto. Os melhores oficiais do exército norte-americano consideravam quase impossível localizar Gerônimo, muito menos derrotá-lo decisivamente.

Em 1877, Gerônimo foi forçado a mudar-se para a reserva de San Carlos, Arizona. O índio considerava a reserva como apenas uma pequena parte do vasto território que julgava pertencer aos apaches. Farto das restrições e da corrupção, ele e muitos outros apaches fugiram pela primeira vez em 1881. Por aproximadamente dois anos, o grupo de apaches assaltou a área rural do sudoeste do país a despeito dos grandes esforços do exército para capturá-los. Finalmente, Gerônimo, cansado do continuo assédio do exército, concordou em retornar à reserva em 1884, mas em grande parte nas condições que ele mesmo estabeleceu.

Não permaneceu aí por muito tempo. Dentre as muitas regras impostas aos apaches na reserva constava a proibição de ingerir bebida alcoólica, inclusive uma cerveja fraca tradicionalmente fabricada a partir do milho.

No começo de maio de 1885, Gerônimo e uma dezena de outros líderes apaches deliberadamente resolveram organizar um festival da cerveja. Raciocinando que as autoridades não iriam tentar punir um grupo tão grande de pessoas, assumiram abertamente o evento, esperando que isso levasse a entabular negociações. Devido a problemas na comunicação, porém, o exército deixou de responder. Gerônimo considerou que o atraso indicava que o exército estaria preparando uma drástica punição pela violação das regras da reserva. Antes de permanecer na reserva, exposto e vulnerável, Gerônimo preferiu fugir com 42 homens e 92 mulheres e crianças.

Movendo-se rapidamente em direção ao sul, Gerônimo assaltava povoados ao longo do caminho à procura de suprimentos. Numa oportunidade, atacou um rancho de propriedade de um homem chamado Phillips, matando-o, sua mulher e duas crianças. Moradores temerosos exigiram uma rápida ação militar. O general George Crook coordenou a perseguição aos apaches com um contingente composto de mexicanos e norte-americanos. Milhares de soldados rastrearam os fugitivos, contudo, Gerônimo dividiu sua gente em pequenos grupos, que seguiram caminhos distintos, tornando-os difíceis de serem localizados.

O fracasso do general Crook em capturar os indígenas o levou a renunciar. O general Nelson Miles o substituiu-o. Miles reuniu cinco mil soldados bem armados para essa campanha, estabelecendo até 30 estações heliográficas para melhorar as comunicações. Miles também se mostrou incapaz de localizar o esquivo guerreiro. Informado que muitos da reserva apache, inclusive membros de sua própria família, haviam sido levados para a Flórida, Gerônimo aparentemente perdeu a vontade de lutar. Depois de um ano e meio de fuga, Gerônimo e seus 38 remanescentes seguidores renderam-se incondicionalmente a Miles em 3 de setembro de 1886.

Realocado na Florida, Gerônimo permaneceu na prisão por dois anos, afastado de sua família. Finalmente foi libertado, mudando-se para o Território Indígena de Oklahoma. Gerônimo morreu de pneumonia, no em Fort Sill, Oklahoma, em 1909.

Fonte: Opera Mundi
 

Com a crise provocada pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, Neville Chamberlain pede demissão e é substituído por Winston Churchill em 10 de maio de 1940. Churchill já se havia feito notar em 1938 quando denunciou veementemente o Acordo de Munique, que entregou os Sudetos e praticamente a Tchecoslováquia aos nazistas, predizendo uma guerra iminente. Churchill criticou Chamberlain por ter assinado o acordo, exclamando: “Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra”.

Churchill, que o rei George VI havia convocado para montar o novo gabinete, estava longe do grande líder em que a guerra o transformaria. À época estava mais para “Winston” do que para “Churchill”, excêntrico, de hábitos pessoais pouco ortodoxos, e com uma carreira política ainda não definida, mas marcada pelo fato, extraordinário na Inglaterra, de já haver trocado de partido por duas vezes, torna-se rapidamente a encarnação da feroz resistência inglesa aos nazistas.

No mesmo dia 10 de maio, Hitler dava início a sua ofensiva no front ocidental que levou o codinome de “Danzig”, ordenando que suas tropas invadissem a Holanda e a Bélgica. Como as forças aliadas britânicas e francesas se preparavam para tentar bloquear em terra as 136 divisões germânicas que invadiam esses países, 2.500 aviões da Luftwaffe passaram a bombardear pistas de pouso na Bélgica, Holanda, França e Luxemburgo e 16 mil tropas aerotransportada desciam de pára-quedas em Roterdão, Leiden e Haia.

Cem outros soldados alemães, empregando planadores, aterrissaram e tomaram de assalto as pontes belgas ao longo do Canal Albert. O exército holandês foi derrotado em cinco dias. Um dia após a invasão da Bélgica, a guarnição do Forte Eben-Emael se rendeu, suplantada e desarmada pelos alemães.

Também nesse mesmo dia, em 1941, o líder nazista Rudolf Hess desce de pára-quedas na Escócia numa tentativa de negociar uma trégua entre o Reino Unido e a Alemanha. No dia em que Hitler decidiu invadir a União Soviética e bombas alemãs caíram sobre Londres, Hess esperava negociar a paz com o Duque de Hamilton, com quem Hess afirmava ter se encontrado por ocasião dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936.

Tal trégua evitaria que Hitler tivesse de lutar em duas frentes e aumentaria enormemente seu próprio prestígio no interior do regime nazista. Na verdade, ele encontrou a ‘paz’ pretendida visto que ficou preso na Torre de Londres, sendo o último homem a ser lá encarcerado debaixo de sete chaves.

Fonte: Opera Mundi
 

Josip Broz Tito, líder comunista da Iugoslávia a partir de 1945, faleceu em 4 de maio de 1980 aos 88 anos em Belgrado. Durante seu governo, que durou 35 anos, Tito conduziu a Iugoslávia por um caminho que combinava lealdade dogmática ao marxismo com uma relação independente, e às vezes conflituosa, com a União Soviética.

Filho de camponeses, Tito nasceu na Croácia em 1892. Trabalhou como mecânico antes de ser conscrito no exército austro-húngaro em 1914. Na Primeira Guerra Mundial, foi capturado pelo exército russo. Filiou-se nessa época aos ideais do comunismo, participando da Revolução Russa em 1917.

O governo monárquico da Croácia proscreveu os comunistas e em 1928, Broz foi preso e condenado a cinco anos de cárcere. Após sua libertação, Tito foi viver na URSS e em 1934 passou a integrar o Comintern, quando recebeu o cognome de Tito. Com a eclosão da Guerra Civil espanhola, ele foi designado comandante do Batalhão Dimitrov, composto de voluntários gregos e balcânicos.

O governo iugoslavo chefiado pelo Príncipe-Regente Paulo aliou-se às ditaduras nazi-fascistas da Alemanha e Itália. Contudo, em 27 de março de 1941, um golpe militar estabeleceu um governo mais simpático aos aliados. Dez dias depois, a Luftwaffe bombardeou a Iugoslávia e destruiu Belgrado. O exército germânico invadiu o país e forçou o governo ao exílio.

No final de novembro de 1943, Tito formou um governo na Bósnia. Em fevereiro de 1944, Hitler enviou Otto Skorzeny para eliminá-lo, mas não teve êxito.

Sua ascensão política começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando liderou os partisans contra a ocupação nazista. Em 1944, pediu ajuda a Stalin para a retomada da cidade de Belgrado dos ocupantes nazistas. Stalin enviou unidades do Exército Vermelho para ajudar no ataque.

Em março de 1945, Tito torna-se premiê da Iugoslávia. Nos anos seguintes criou uma federação de repúblicas socialistas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro, Bósnia-Herzegovina e Macedônia.

Influenciado pelas ideias de seu vice-presidente, Milovan Djilas, Tito tentou criar uma forma peculiar de socialismo, que incluía distribuição de lucros aos operários das empresas controladas pelos conselhos de trabalhadores. Ao contrário de outras nações da Europa Oriental, a Iugoslávia não esteve sujeita a ocupação soviética.

Após 1945, as relações entre Tito e a URSS deterioram-se rapidamente. O apoio de Tito aos comunistas gregos foi criticado por Stalin, que tinha acertado com Churchill na Conferência de Yalta o “Acordo das Porcentagens”, aceitando a hegemonia britânica na Grécia. Além disso, o curso independente de Tito na política externa irritou Stalin, que esperava dos regimes comunistas do leste europeu um alinhamento à política exterior de Moscou. Em 1948, Stalin expulsou a Iugoslávia do Cominform, uma agência destinada a coordenar a política dos países socialistas na esfera internacional.

Esta decisão rompeu na prática os laços entre o bloco soviético e a Iugoslávia e Tito pôs em prática a política de “neutralismo positivo”. Tito também reagiu, tratando de buscar assistência militar e econômica junto aos Estados Unidos. Surpreendida com o pedido, Washington postergou a ajuda. Entretanto, o presidente Truman e seus conselheiros viram em Tito uma oportunidade contra o bloco socialista, visto como monolítico, e encorajar outros regimes socialistas a se afastarem da dominação soviética.

Se imaginou que Tito pudesse se afastar de sua ideologia marxista, mas Washington esteve totalmente equivocado. Até sua morte em 1980, Tito manteve-se como um férreo comunista, apesar do rumo independente da União Soviética.

Fonte: Opera Mundi
 

O filósofo, escritor, político e historiador italiano Niccoló Machiavelli – Nicolau Maquiavel – nasceu em 3 de maio de 1469. Patriota durante a vida toda e acérrimo defensor de uma Itália unificada, Maquiavel tornou-se um dos pais da moderna teoria política.

Maquiavel entrou para a política em sua terra natal, Florença, quando tinha 29 anos. Como secretário de Defesa, se distinguiu ao executar políticas que acabaram fortalecendo Florença politicamente. Logo lhe foram designadas missões diplomáticas em nome do Principado florentino para se encontrar com personalidades centrais da época, como o rei Luis XII da França e talvez a mais importante para Maquiavel, o príncipe dos Estados Pontifícios, Cesare Borgia. O hábil e astucioso Borgia inspirou mais tarde o personagem título do famoso e seminal tratado de Maquiavel O príncipe (1532).

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A vida política de Maquiavel sofreu pesado baque após 1512, quando perdeu os favores da poderosa família Médici. Foi acusado de conspiração, preso, torturado e temporariamente exilado. Foi uma tentativa de reconquistar importante posto político e as boas graças da família Medici que Maquiavel escreveu O príncipe que se tornou sua obra mais conhecida universalmente.

Embora tenha sido lançado postumamente em formato de livro em 1532, a obra foi primeiramente publicado como um panfleto em 1513. Nele, Maquiavel traça a sua visão de um líder ideal: um amoral, tirano calculista, para quem os fins justificam os meios.

O pensamento de Maquiavel tem uma importância ímpar nos estudos políticos pelo fato de estabelecer uma nítida separação entre a política e a ética, bem como por deixar de lado a antiga concepção de política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deve ser. Maquiavel preferia estudar os fatos como eles são na realidade. Nesse sentido, sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu “das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver”. Sua teoria desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política.

O príncipe não só fracassou em ganhar os favores da família Médici como o afastou do povo florentino. Maquiavel nunca mais foi bem recebido ao retornar à política e quando a República Florentina foi restabelecida em 1527, Maquiavel foi objeto de forte suspicácia. Morreu naquele mesmo ano, amargurado e praticamente expulso da sociedade florentina à qual havia devotado sua vida.

Os conceitos de virtù e fortuna são empregados várias vezes por Maquiavel em suas obras. Para ele, a virtù seria a capacidade de adaptação aos acontecimentos políticos que levaria à permanência no poder. A idéia de fortuna representa as coisas inevitáveis que acontecem aos seres humanos, para o bem ou para o mal.

Embora Maquiavel tenha sido associado amplamente com a prática de diabólicos expedientes no reino da política consagrados em ‘O príncipe’, suas verdadeiras visões não eram tão extremadas. De fato, em textos mais longos e detalhados como Discursos sobre os dez primeiros livros de Livy (1517) e História de Florença (1525), ele se mostra um político moralista baseado em princípios. Não obstante, mesmo nos dias de hoje, a expressão ‘maquiavélico’ é utilizada para descrever uma ação empreendida para o próprio benefício sem olhar para o certo ou errado ou a que se caracteriza pela astúcia, duplicidade, má-fé e ardil.

Maquiavel escreveu, no entanto, obras literárias e peças teatrais que pouco tinham a ver com seu pensamento filosófico e político, embora revelassem uma inteligência brilhante e refinamento estilístico, como na peça “A Mandrágora” e no divertido conto “Belfegor” – que faz uma crítica ao consumismo da época, ainda atual em nossos dias.

Fonte: Opera Mundi
 

Benito Mussolini, ditador fascista, companheiro de Hitler e parceiro do nazismo em suas agressões, encontrou seu fim em 28 de abril de 1945. Ele e sua amante Clara Petacci tinham sido capturados pela Partigiana, a Resistência Italiana, um movimento armado de oposição ao fascismo. A prisão aconteceu em 26 de abril, dois dias antes da execução, quando eles tentavam fugir de Como, norte da Itália, para a Suíça.

Os corpos de Mussolini e Clara foram transportados para Milão e jogados na Piazza Loreto. No dia seguinte foram pendurados pelos pés numa viga, sendo retirados horas depois e largados na sarjeta. Ali permaneceram durante o resto da tarde de domingo. Enfurecida, a população pisoteou a face do ex-ditador até que se tornou irreconhecível. Os dentes foram brutalmente arrancados por conta dos pontapés.

O rosto do italiano ficou desfigurado, como se a população quisesse pisotear também seu último desejo: morrer preservando aquelas feições que, por duas décadas, foram uma referência para a Itália. Antes de ser fuzilado, as últimas palavras de Mussolini foram: “Atirem aqui. Não destruam meu perfil”, pediu, apontando para o peito.

Finalmente, em 1º de maio, Mussolini foi enterrado ao lado de sua amante, em vala comum, no Cimitero Maggiore, de Milão. Foi nesse clímax macabro de degradação que Il Duce e o fascismo passaram para a história.

Ricardo Lombardi, Prefeito da Província de Milão, alegava que o fuzilamento de Mussolini foi perfeitamente legal, visto que o Comitê Nacional de Libertação havia proclamado que todos os fascistas armados se encontravam na ilegalidade.

As últimas horas de vida de Mussolini foram vasculhadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957. O processo, porém, não esclareceu as circunstâncias da morte. Até hoje não se sabe, de fato, quem disparou os tiros mortais.

Michele Moretti, último sobrevivente do grupo antifascista que executou o ex-ditador, morreu em 1995, aos 86 anos, em Como. Moretti, que na época da guerrilha usava o codinome Pietro, levou para o túmulo o segredo sobre quem realmente disparou contra Mussolini e sua amante.

Na avaliação de alguns historiadores, foi o próprio Moretti quem matou os dois. Para outros, o autor dos disparos, feitos com a arma de Pietro, foi outro partigiano, chamado Walter Audisio. O que se pode assegurar, porém, é que a ação foi ordenada pela Resistência italiana.

Fonte: Opera Mundi
 

Um artigo da revista científica Nature, publicado em 25 de abril de 1953, descreve pela primeira vez a estrutura em dupla hélice do ácido desoxiribonucleico (DNA em sua sigla em inglês), suporte do patrimônio genético humano. O artigo escrito pelo biólogo norte-americano de 24 anos, James Dewey Watson, e pelo médico britânico de 36 anos, Francis Harry Compton Crick, explica como o DNA contido nas células de todos os seres vivos permite a sua duplicação. Os dois receberiam os prêmios Nobel de fisiologia e de medicina em 1962.

O código do DNA é um programa de vida específico a cada espécie e, em todo o caso, personalizado. A unicidade do ser ficou provada. A decodificação, ou a decifração, do DNA esconde um potencial ainda dificilmente quantificável. Progressos médicos e manipulações genéticas vieram a seguir. Hoje a decifração do DNA se presta a investigações policiais, à definição de paternidade, entrando para o vocabulário cotidiano.

As propriedades físicas e químicas do DNA servem tanto para a duplicação quanto para a transferência de informação. Para se ter uma idéia ou uma imagem do DNA, basta pensar em duas fitas paralelas helicoidais, de dupla hélice. Essas fitas são formadas de filamentos, já que as moléculas do DNA têm a forma filamentosa. São filamentos paralelos devido à ponte, chamada ponte de hidrogênio, que liga uma cadeia de filamentos à outra.

Se tentarmos localizar o DNA, veremos que se localiza dentro de nosso corpo, mas que não se concentra em uma parte específica dele, é distribuído entre as células. Curiosamente, existe cerca de um milhão de bilhões de células constituindo um corpo humano médio e, com algumas exceções, cada uma dessas células contém uma cópia completa do DNA daquele corpo.

O DNA é, dos ácidos nucléicos, o que instiga mais a curiosidade, pelas suas características e pelas suas várias funções. O DNA é então formado por uma base hidrogenada e pelos nucleotídeos, que são a guanina, a citosina, a adenosina e a timina.

A partir das pesquisas sobre o DNA e suas funções, os cientistas podem hoje manipular os genes diretamente, sob formas cada vez mais sofisticadas. É possível extrair o DNA de uma célula, fragmentar esse DNA, separar as partes contendo alguns genes específicos e introduzir esses genes em outro organismo vivo. É o que faz a Engenharia Genética, identificando um gene, isolando-o e multiplicando-o a partir de diversos organismos vivos. De uma gota de sangue, de um fio de cabelo ou de um osso se pode extrair o DNA.

A identificação genética de um animal pode ser feita hoje a partir de um simples segmento de DNA encontrado em um osso. Esse segmento pode ser mil vezes multiplicado até se produzir uma quantidade de DNA que seja suficiente para a identificação.

Por outro lado, uma espécie pode receber genes de um ser vivo de outra espécie – isso vem sendo feito há muito tempo com plantas – e, assim, essa espécie é instruída a produzir substâncias novas, a partir do gene recebido.

Os estudos do DNA já levaram a Engenharia Genética à técnica da clonagem, inclusive em bactérias e vírus.

Modernamente, o que mais vem chamando a atenção do mundo é o Projeto Genoma. Este é um projeto internacional, em que cientistas de várias partes do mundo juntaram esforços e intercambiaram pesquisas com o objetivo de traçar o ‘mapa’ do organismo humano. O esperado é que se possa detectar, através da decifração dos códigos do DNA, todas as possíveis doenças que o homem possa ter e como mudar a orientação daquele organismo, eliminando-as.

É de se ressaltar que James Watson, numa entrevista publicada em 2007, afirmou que pessoas de ascendência africana são intrinsecamente menos inteligentes que os de ascendência européia, o que o levou a ser suspenso e posteriormente excluído como diretor do Laboratório Cold Spring Harbor.

Em 20 de abril de 1980, o governo de Cuba anuncia que todos os cubanos que desejarem emigrar para os Estados Unidos estão livres para fazê-lo, embarcando em botes no porto de Mariel, na província de La Habana, a oeste da capital. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel. Os primeiros 125 mil refugiados cubanos alcançaram a Flórida no dia seguinte.

O êxodo foi precipitado principalmente pela carência de habitações causada pelas debilidades da economia cubana, que gerou tensões internas. Um fato, de 1º de abril de 1980, ilustra o descontentamento de alguns setores da população. Hector Sanyustiz e outras quatro pessoas derrubaram a grade e invadiram com um ônibus a embaixada do Peru em Havana. Guardas cubanos das ruas abriram fogo; um deles foi morto na troca de tiros. O grupo conseguiu asilo político na representação diplomática.

O governo cubano exigiu que os cinco prestassem contas à justiça pela morte do guarda. Como o governo peruano recusou a exigência, Fidel Castro ordenou a retirada de seus policiais da frente da embaixada na Sexta-Feira Santa, 4 de abril.

No domingo de Páscoa, 6 de abril, cerca de dez mil cubanos lotaram a exuberante paisagem dos jardins da embaixada, exigindo, eles também, asilo. Outras embaixadas, como as da Espanha e Costa Rica, concordaram em receber um pequeno número de pessoas.

Porém repentinamente, Fidel proclamou, duas semanas mais tarde, que o porto de Mariel seria aberto para todos aqueles que desejassem abandonar o país, enquanto tivessem alguém que pudesse levá-los de lá. As organizações cubano-americanas instaladas na Flórida apressaram-se para providenciar embarcações em Miami e Key West a fim de buscar seus parentes.

Ao todo, cerca de 125 mil cubanos se dirigiram às praias dos Estados Unidos em cerca de 1.700 barcos de todo o tipo, criando uma grande onda migratória que superlotou os serviços da guarda costeira norte-americana. A guarda costeira cubana preenchia embarcações umas após as outras que vinham do vizinho país do norte buscá-los, sem que fosse ouvida em seus alertas quanto à segurança, mas ao mesmo tempo sem deter-se em seus trabalhos. Vinte e sete migrantes morreram na travessia, inclusive 14 num bote superlotado que soçobrou em 17 de maio.

O êxodo dos balseros – aqueles que deixavam Cuba por meio de embarcações – passou a ter implicações políticas negativas para o presidente Jimmy Carter (1977-1981). Quando se descobriu que um certo número de exilados foi libertado das cadeias cubanas e de asilos de doentes mentais, muitos deles foram colocados em campos de refugiados. Outros foram mantidos em prisões federais para serem ouvidos em audiências de deportação. Dos 125 mil marielitos como ficaram conhecidos, mais de 100 foram presos e outros 587 foram detidos até que seus responsáveis fossem encontrados.

O êxodo finalmente teve fim com um acordo mútuo entre o governo de Cuba e dos Estados Unidos em outubro de 1980.

Cuba conta hoje com 11,3 milhões de habitantes e são cerca de 1,8 milhão de nascidos em Cuba que vivem no exterior, principalmente na Flórida.

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