Cultura


Fonte: Der Spiegel

Há um século, os arqueólogos vêm buscando uma passagem num muro construído pelos vikings no norte da Europa. Neste verão, encontraram. Os pesquisadores agora acreditam que a extensa barreira foi construída para proteger uma importante rota comercial.
Seus ataques vindos do nada em barcos longos e rápidos fizeram com que muitos chamassem os vikings de inventores da Blitzkrieg (a guerra-relâmpago alemã). “Como vespas selvagens”, diz uma descrição antiga, os vikings saquearam mosteiros e cidades inteiras da Irlanda à Espanha. O fato de que os vikings, que foram retratados de forma caricata nos quadrinhos, foram também construtores habilidosos é bem menos conhecido.

A prova pode ser vista no norte da Alemanha, não muito distante do Canal do Mar do Norte para o Báltico. Lá é possível maravilhar-se com a muralha gigante de 30 quilômetros que atravessa todo o Estado de Schleswig-Holstein. A construção massiva, chamada de Danevirke – “trabalho dos dinamarqueses” – é considerada a maior obra com terra no norte da Europa.

Os arqueólogos agora observaram mais de perto uma parte da construção – um muro de três metros de largura do século 8 próximo a Hedeby (conhecida como Haithabu em alemão). Ele foi construído inteiramente com pedras retiradas da região ao redor. Algumas delas são do tamanho de um punho, enquanto outras pesam até 100 quilos. “Os vikings coletaram milhões de rochas”, diz a arqueóloga Astrid Tummuscheit, que trabalha para o departamento de arqueologia do Estado de Schleswig-Holstein.

Posto alfandegário, pousada e bordel
Numa entrevista coletiva na sexta-feira (27), a equipe de Tummuscheit anunciou outra descoberta – que eles consideram “sensacional”. Os pesquisadores descobriram o único portão de travessia do Danevirke, um portal de cinco metros de largura. De acordo com escritos antigos, “carroças e homens a cavalo” costumavam passar pelo portão, chamado de “Wiglesdor”. Perto dele havia um posto alfandegário e uma pousada que incluía um bordel.

Há um século os arqueólogos sonhavam em encontrar este portão entre a Dinamarca e o império de Carlos Magno. Especialistas conheciam a localização aproximada, mas os arqueólogos não podiam escavar: havia uma antiga taverna no caminho. “O Café Truberg colocou freios em tudo”, diz Claus von Carnap-Bornheim, chefe do departamento de arqueologia de Schleswig Holstein.

As coisas só começaram a ir adiante quando o café faliu e foi comprado em 2008 com a ajuda da AP Møller-Fonds, um fundo que pertence a Arnold Maersk, dinamarquês de 97 anos que é dono da maior frota de contêineres do mundo. A companhia de energia E.on Hanse, subsidiária da E.on e responsável pelo norte da Alemanha, pagou para que o prédio fosse demolido e os arqueólogos puderam avançar. A nova descoberta também deve atrair uma atenção significativa ao norte da fronteira da Alemanha – o Danevirke é visto como um tesouro nacional na Dinamarca. A rainha Margrethe 2ª da Dinamarca visitou o local, assim como o príncipe Frederik.

Novos cálculos quanto à idade da construção indicam, entretanto, que as partes mais antigas do muro podem ter sido construídas pelos frísios, e não pelos dinamarqueses. Os arqueólogos agora acreditam que a pedra fundamental pode datar até do século 7.

Conhecidos pela pilhagem
Os frísios, que viveram na costa oeste do que hoje é a Dinamarca e em várias ilhas do Mar do Norte, lutavam pela supremacia na região com três outros povos: os dinamarqueses, os eslavos e os saxãos. “Era o Kosovo da Idade Média”, diz Carnap-Bornheim. No final, entretanto, foram os dinamarqueses que saíram vitoriosos. De acordo com registros contemporâneos, o rei Göttrik da Dinamarca ordenou em 808 que a fronteira de seu império com o dos saxõess fosse fortificada.

Mas por que fazer tamanho esforço? Para que os vikings empilharam milhões de toneladas de rochas em sua fronteira? Estruturas semelhantes de fortificação de fronteiras construídas pelos romanos ou a Grande Muralha da China foram construídas para se proteger de hordas de saqueadores. Mas no caso do Danevirke, os próprios construtores tinham fama de saquear. No século 8, a Dinamarca não tinha ruas de pedras nem casas de pedra. O rei pagão era protegido por guerreiros que usavam roupas de animais – os chamados “berserkers”.

Só os seus longos barcos eram tecnologicamente sofisticados – rápidos e leves e facilmente navegáveis. Eles permitiram aos dinamarqueses desenvolverem uma rede formidável de rotas de comércio. Eles viajavam pelos rios da Rússia até Bizâncio e navegavam o Atlântico Norte até a longínqua Islândia, Groenlândia e até o norte da América do Norte.

Comércio por terra
Mas havia um calcanhar de Aquiles nesse império comercial, e este se localizava em Hedeby. Para que os bens do leste fossem enviados para o oeste, eles precisavam cruzar a estreita faixa de terra na base da atual Dinamarca. Os comerciantes entravam no território pela baía de Schlei, até chegar a Hedeby, onde suas mercadorias eram descarregadas e enviadas por terra até o Rio Treene, a 18 quilômetros dali. Só então os bens podiam ser carregados em barcos e enviados pelo Mar do Norte.

Durante toda a duração dessa curta viagem por terra, os bens valiosos – incluindo ouro de Bizâncio, peles de urso de Novgorod e até estátuas de Buda da Índia – ficavam expostos a ataques. Foi para proteger essa importante artéria comercial que os arqueólogos hoje acreditam que foi construída a fortaleza de terra, pedras e tijolos. O Danevirk, em outras palavras, não era nada além de um escudo protetor para o comércio.

Nas próximas semanas, os arqueólogos pretendem escavar o portão recém-descoberto até o nível da antiga rua. Eles esperam encontrar antigas pedras de calçamento, dobradiças ou buracos onde ficavam os postes – os restos, talvez, de uma antiga passagem para a terra dos vikings.

Por Silvana Guerra
Fonte: Culinária Japonesa/Terra

Há quem chame de asagohan, ou então choshoku, mas o fato é que a forma como os japoneses fazem sua primeira refeição é bem diferente dos padrões brasileiros. Nada de café, sucos ou pães. O que prevalece no café da manhã japonês é o arroz. Isso mesmo, arroz, e é daí que vem o nome asagohan, que significa arroz da manhã. Mas não é só do grão que é feito o desjejum dos orientais. Essa primeira refeição na terra do sol nascente é quase que um banquete completo. Descubra o motivo:

Sopa matinal
Já imaginou acordar e tomar uma sopa? Pois para quem vive no Japão isso não é nada incomum. No asagohan, o missoshiro, sopa tradicional japonesa, é presença garantida. A sopa de missô, como também é conhecida, tem como ingredientes a soja, hondashi, tofu e cebolinha. E também pode ser acrescida de legumes. Mas para quem acha isso muito absurdo, saiba que esse prato alimenta muito bem e por isso já é servido logo na primeira refeição do dia.

As conservas
Além dos alimentos quentes, os nipônicos também consomem alguns itens mais frios no café da manhã. É o caso do tsukemono. O prato costuma usar em sua base pepino ou gengibre, e nada mais é do que uma conserva desses alimentos. Junto com o arroz e os peixes, o tsukemono é um dos alimentos mais consumidos no Japão, não só no café da manhã, como também em outras refeições durante o dia.

Os mais consumidos
O peixe tão consumido no país não poderia ficar de fora do café da manhã japonês. Por isso, o salmão é também presença marcante no desjejum nikkey. A versão mais comum é o salmão grelhado. Além, é claro, das algas, que fazem parte do cotidiano nipônico. Pesquisas indicam que o consumo médio de algas no país é de cinco quilos por pessoa.

O jeitinho brasileiro
E para não dizer que o café da manhã japonês não tem nada a ver com o desjejum brasileiro, vamos incluir as frutas nesse cardápio. As maçãs e as mexericas são as frutas mais consumidas em todo o Japão e não poderiam ficar de fora da refeição mais importante do dia. As mexericas são conhecidas no país como pokan.

Para beber
Como não poderia deixar de ser, o chá também faz parte desse asagohan. Verde ou preto, ele é a bebida campeã do café da manhã oriental.

Por Silvana Guerra
Fonte: Le Monde

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Os chineses têm personalidade e adoram seus caracteres, ou seja, seu sistema de escrita. A proposta de uma reforma que simplifica um número limitado de ideogramas acaba de provocar uma polêmica que ilustra até que ponto os chineses parecem apegados à complexidade de sua língua escrita.

Entretanto, no papel, o impacto desse projeto governamental será insignificante: dos 47.037 caracteres listados – somente 3.500 são utilizados normalmente -, a proposta é simplificar somente 44 deles! E as mudanças serão mínimas: os caracteres em questão, que exprimem palavras ou adjetivos correntes, se verão simplesmente amputados de pequenos traços. Mas uma parte da opinião pública rejeita essa reforma. E como os chineses foram convidados a dar sua opinião na internet ou escrevendo para a Comissão da Língua Chinesa do Ministério da Educação, eles não estão se privando disso.

Uma pesquisa organizada pelo site Sohu.com mostra que 90,3% das 247.195 pessoas consultadas se declararam hostis a essa reforma. “Os burocratas do Ministério não têm nada a ver com isso. Há outras formas de contribuir para o progresso da educação na China!”, critica um internauta no site do “Diário do Povo”, o órgão central do Partido Comunista. “Então, aos 31 anos, vou ter de voltar à escola?”, ironiza um outro…

Um professor de linguística da Universidade Normal de Nanquim, Ma Jinglun, se diz contrário a essa perspectiva de simplificação, pois os caracteres chineses exercem “um papel social e psicológico” importante na História da cultura do Império do Meio, uma vez que a escrita milenar dos caracteres serviu de poderoso fator de unificação política. Segundo Sun Xiaoyun, renomado calígrafo, “essa reforma não é necessária: o que é essencial é que o ideograma transmita corretamente a mensagem. Sua forma em si pouco importa”.

A questão da simplificação dos caracteres está longe de ser nova. A reforma já se deu sob o maoísmo, uma vez que, entre 1956 e 1975, milhares de ideogramas se viram amputados de pequenos traços. Somente em Taiwan, Hong Kong, Macau e na diáspora chinesa, sobretudo no Sudeste Asiático, é que os caracteres tradicionais ainda são utilizados.

E essa vontade simplificadora era ainda mais antiga: tinha origens em uma vontade reformista de intelectuais do fim do século 19, que queriam promover um maior acesso à educação, tornando menos complexo uma escrita de letrados. Em 1909, o redator-chefe do “Jornal da educação”, Lu Feikui, propôs a passagem “para caracteres de formas populares”.

Alguns ousavam propor a ideia sacrílega, como fez no Japão em 1866 o alto oficial Hisoka Maejima, sugerindo “uma proposta para a eliminação dos caracteres (chineses)”. Anos depois na China, um certo Lu Zuangzhang se lançou em uma revista a uma diatribe contra esse “império dos sinais” que restringia a expressão gráfica do país: “Vocês dizem que os caracteres chineses têm uma beleza sem igual. Bem, em nome de sua beleza, eles nos irritam com sua dificuldade sem igual!”

Hoje, o professor de linguística da Universidade Fudan de Xangai, Chu Ziao Quan, explica que “nos momentos históricos cruciais em que o destino da China e da cultura chinesa realmente foram contestados, o desafio se traduzia frequentemente em um problema de língua que provocava reações emocionais no imaginário linguístico dos chineses.

Mas nunca estes, em sua longa história, enfrentaram um questionamento sobre sua própria língua tão agudo e tão radical quanto nos tempos modernos”. (“La Pensée en Chine aujourd’hui”, organizado por Anne Cheng, ed. Gallimard, coleção “Folio-essais”, 2007).

Para o professor Chu, no início do século 20 havia intelectuais para afirmar que a escrita tradicional podia “ser a causa dos fracassos históricos sofridos pela China”. Alguns acreditavam que “havia urgência para se livrar da escrita chinesa, para tirar a China do abismo do fim do século (19)”. Passar de uma representação escrita simbólica para o alfabeto latino: para eles, esse era o futuro.

Os radicais dessa “revolução cultural” certamente não a conseguiram, mas mais tarde, os comunistas optaram por uma simplificação dos caracteres, e paralelamente adotaram o “pinyin”, uma romanização do mandarim, que facilita a pronúncia para o locutor não sinófono.

E ainda que os chineses pareçam não querer mais prolongar a experiência, talvez seja preciso ver outros motivos na irritação causada por esse último projeto de reforma.

É o que sugere Dong Qiang, professor de francês e de literatura comparada na Universidade de Pequim e distinto calígrafo: “Vejo na atual polêmica um conflito entre a ‘tecnocracia progressista’ – que justifica a reforma como uma tentativa de padronizar melhor a escrita e uma adaptação à necessidade da era da internet – e uma necessidade de se enraizar no plano cultural através da escrita”.

Na verdade, ele acrescenta, “essa hostilidade à reforma reflete um estado de espírito dos chineses de hoje que estão fartos de todas as decisões que vêm de cima, de supostos ‘especialistas’”.

Por: Silvana Guerra
Fonte: BBC Brasil

 

TANGO

O tango é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30/9), pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A candidatura do tango (música e baile) para ser considerado um bem cultural foi apresentada, conjuntamente, em novembro de 2008, pelos governos de Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai.

“Essa é uma homenagem a todos os que sustentaram o tango durante muito tempo. Uma homenagem àqueles que mantiveram a tradição, transmitindo a poesia e a dança de geração para geração”, comemorou Hernán Lombardi, secretário de Cultura de Buenos Aires (Argentina). O diretor de Promoção Cultural de Montevidéu (Uruguai), Eduardo Duter também festejou a decisão. “Esse anúncio é fruto de um trabalho intenso e é um compromisso de ambos governos para proteger o tango e realizar projetos em comum”, disse. No passado, habitantes das duas cidades costumavam discutir onde, de fato, esta arte tinha nascido, se na capital argentina ou uruguaia.

Tango japonês
Recentemente, no Campeonato Mundial de Tango realizado em Buenos Aires, um casal de japoneses que aprendeu a dança no Japão venceu a disputa na categoria “dança de salão”. Para as autoridades argentinas, essa foi a confirmação de que o tango já atravessou “há muito tempo” as fronteiras de Buenos Aires e Montevidéu.

Prostíbulos
Segundo historiadores argentinos, o dois por quatro (outra forma de chamar o tango) nasceu nos prostíbulos, durante a imigração europeia no início do século 20. Desde então, o ritmo é identificado como bem cultural das cidades do Rio da Prata, que banha o Uruguai e a Argentina. As letras do tango, afirmam os especialistas, sugerem melancolia porque demonstram a solidão dos que saíram de países europeus para uma terra desconhecida.

Fonte: Agência FAPESP

Um ano depois das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, uniram esforços para destacar as colaborações científicas – dos mais variados tipos e em diferentes áreas do conhecimento – realizadas por pesquisadores dos dois países ao longo desse período.

O livro Centenário Brasil-Japão: USP e a Cooperação Científica Nipo-Brasileira, que acaba de ser lançado, foi escrito a partir de entrevistas com 35 cientistas brasileiros que, ao longo desse período, participaram de algum tipo de interação acadêmica com colegas de instituições de pesquisa japonesas.

A obra foi organizada por José Aparecido da Silva, professor do Departamento de Psicologia e Educação da USP de Ribeirão Preto, Rosemary Conceição dos Santos, pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e Amando Siuiti Ito, Oswaldo Baffa Filho e Sumeire Takahashi de Oliveira, todos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP.

A despeito de obstáculos como dificuldades financeiras e distanciamento familiar, o livro mostra como esses pesquisadores se propuseram a cooperar com as diversas universidades orientais para a troca de experiências e o aprendizado de novas técnicas e metodologias de pesquisa. “Sempre se fala muito sobre a interação entre as duas culturas e pouco se diz sobre a colaboração científica existente entre Brasil e Japão. Além de destacar as semelhanças e as diferenças no campo da pesquisa científica, o livro também aborda os reflexos dessas interações acadêmicas para ambos os países – impactos que ocorreram no âmbito social e cultural, influenciando até as relações diplomáticas”, disse José Aparecido da Silva à Agência FAPESP.

“As entrevistas com os cientistas brasileiros, muitos descendentes de japoneses, deixam claras as inúmeras virtudes dessa parceria, entre elas a dedicação dos pesquisadores às diferentes disciplinas, aos principais resultados e benefícios acadêmico-científicos, ao compartilhamento de equipamentos e infraestrutura de pesquisa e ao notável envolvimento dos cientistas na busca por novas descobertas”, aponta o docente. Em sua maioria apoiados por bolsas do Monbusho, o Ministério da Educação do Japão, os pesquisadores entrevistados abordam temas que foram divididos em tópicos como interação, apoio, vínculos e influências; fomento às relações; dificuldades encontradas nas pesquisas feitas no Japão e no Brasil.

A publicação detalha, por exemplo, a grande afinidade que a ciência japonesa possui com a brasileira na área de exatas. “Identificamos uma grande interação histórica nessa área entre os cientistas dos países, com dezenas de estudos bem-sucedidos. Um dos reflexos dessa interação é que, atualmente, entre 15% e 20% dos estudantes das universidades públicas do Brasil, na área de exatas, são de origem asiática, provenientes, sobretudo, do Japão”, apontou.

O livro apresenta ainda a situação econômica do Japão, que conta com mais recursos financeiros para as pesquisas do que os disponíveis no Brasil, além de possuir forte apoio do setor industrial para esse fim, o que lhes permite imprimir maior agilidade e diversidade em suas diversas frentes de investigação. Por outro lado, os autores apontam também que, apesar de terem menos recursos, os pesquisadores brasileiros geralmente desenvolvem, com agilidade, trabalhos significativos que costumam servir de estímulo aos pesquisadores japoneses.

“Historicamente os brasileiros ensinaram, mas também vêm aprendendo muito com os japoneses e, apesar das grandes diferenças culturais, o livro se propõe a solidificar ainda mais as relações entre cientistas dos dois países”, conclui José Aparecido da Silva.

Por Silvana Guerra
Fonte: Custom Editora

 

 YAKUTSK 1    YAKUTSK 3

Tá achando que o frio aumentou um pouquinho? Pois alegre-se, porque poderia ser muito, muito pior. Que o digam os moradores de Yakutsk, capital do estado de Yakutia, na Sibéria. Essa cidade de 200 mil habitantes é (com título no Guinness, o livro dos recordes) a mais fria do planeta.

Durante o pico de inverno, a temperatura média chega aos 50ºC abaixo de zero, verdadeiro tormento para qualquer um – até para os já acostumados com os rigores da região. Para se ter uma brevíssima ideia do tamanho do problema, a estrada que leva a Yakutia só pode ser enfrentada com alguma chance de sucesso durante a estação mais fria, que é quando os rios e os lagos estão congelados. Isto porque boa parte da viagem é feita sobre o gelo – com correntes nas rodas.

Sem o gelo, a estrada se torna um lamaçal digno de ralis off-road.

O medo de que os motores congelem e não “peguem” mais leva os caminhoneiros que se aventuram pela região (levando mantimentos para Yakutsk e adjacências) a viajar sempre em comboios. Muitas vezes, eles mantêm seus veículos ligados por até duas semanas.

Quer mais? Pois anote: recomenda-se evitar usar óculos enquanto se caminha nas ruas da cidade, porque o frio é tão intenso que ele congelará e você não conseguirá tirá-lo do rosto depois…

Mas, e o verão, não tem? Bom, fazendo justiça à piada britânica, parece que, no ano passado, caiu numa terça-feira… Brincadeiras à parte, a região de Yakutia tem entre duas e três semanas de calor. E calor, mesmo, pois os termômetros podem atingir os 30ºC sem problemas. É quando os habitantes de Yakutsk, tal qual a formiga da historinha infantil, se abastecem para o longo inverno…

Por Silvana Guerra
Fonte: Discovery Channel

CAVERNAS ALTAMIRA 2

As Cavernas de Altamira, em Cantabria, nordeste da Espanha, são incríveis e muito especiais tanto pelos desenhos paleolíticos que cobrem os tetos e as paredes como pelo período em que foram feitos. Estima-se que estão lá há cerca de 16.500 e 14.000 anos.

São vários os desenhos, búfalos, cavalos, veados e outros. O mais interessante é o uso habilidoso da cor e dos contornos naturais da pedra dando uma qualidade de imagens 3-D.

CAVERNAS ALTAMIRA

Descobertos em 1879, por um nobre da região e sua filha, o local não pára de receber visitantes. Entretanto, o acesso é restrito devido ao dióxido de carbono exalado, o que danifica os desenhos. Para a visita, é necessário fazer reservas com dois ou três anos de antecedência.

As cavernas pertencem atualmente ao Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Próximo ao local há um museu com uma exata reprodução em exposição.

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