Cultura


Fonte: Opera Mundi
 

“O recebi pelo correio um dia. Um brasileiro o enviou e escreveu: você irá gostar. Porque era um livro fino, o li. Se fosse grosso, eu o teria descartado”. Conforme relatou o cineasta norte-americano Woody Allen ao jornal britânico The Guardian, o primeiro encontro dele com a célebre obra do escritor brasileiro Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, na tradução para o inglês, Epitaph of a Small Winner, foi marcado por desconfiança.

No entanto, após a leitura, o livro acabou se tornando um dos cinco melhores na opinião de Allen, que também citou O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger, e a biografia do diretor de cinema Elia Kazan como obras indispensáveis.

Escrito no século XIX, Memórias Postumas de Brás Cubas impressionou Allen pela atualidade e criatividade da narrativa. “Você poderia pensar que ele o escreveu ontem. É tão moderno e divertido. É um assunto do qual eu gosto e que foi tratado com grande perspicácia, grande originalidade e sem sentimentalismo”, afirmou o cineasta.

No livro, o “defunto-autor” Brás Cubas narra em primeira pessoa sua autobiografia. Nascido numa típica família da elite carioca, do túmulo o morto escreve suas memórias póstumas começando com uma “Dedicatória”: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas”.

Traduzido pela primeira vez para o francês, em 1911, Memórias Postumas de Brás Cubas ganhou posteriormente versões para o inglês, italiano, espanhol, dinamarquês, alemão, holandês, dentre outras línguas, tornando-se um romance universal e de grande sucesso fora do Brasil.

Por Silvana Guerra
Fonte: Correio Braziliense
 

Um dos cenários do filme Faroeste Caboclo, a famosa canção da banda Legião Urbana, será gravado em uma região carente e que lembra a Ceilândia da década de 1970. O local é o Jardim ABC, bairro da Cidade Ocidental (GO), a 36km de Brasília, onde é possível ter a impressão de voltar algumas décadas no tempo.

O desenvolvimento urbano ainda não chegou por lá. As estradas são de terra batida, não há grandes construções e as casas têm jeito de interior. No entanto, nas próximas semanas o local sofrerá uma transformação em sua rotina com as filmagens de Faroeste Caboclo, que está previsto para entrar em cartaz no mês de outubro. O filme foi inspirado na música de Renato Russo, a composição de 1979 foi lançada no disco Que País É Este?, do grupo Legião Urbana, em 1987.

Para o Diretor brasiliense René Sampaio, o Jardim ABC é o lugar ideal, sem muitos prédios e pouco asfalto, diferente da atual Ceilândia, onde viveu o personagem principal da canção, João de Santo Cristo. As casas cenográficas estão em construção. Serão pelo menos sete, uma de tijolos e seis de madeira, e um boteco. Pedreiros trabalham dia e noite para adiantar o serviço e todos felizes com a chance de aumentar a renda. Acostumados a poucas opções de lazer, a população assiste a tudo com atenção, nunca viram tantas pessoas de fora.

O Jardim ABC é uma das regiões do Entorno que menos tiveram melhorias nos últimos anos, segundo dados do censo demográfico mais recente. Menos de 5% das ruas têm asfalto e falta saneamento básico. Não há agência bancária, hospital, delegacia, enfim, nenhum dos serviços mais básicos para atender aos cerca de 20 mil habitantes do local. E em meio a toda essa precariedade, o que mais preocupa a população são os crimes constantes na região.

A produção promoveu uma seleção a fim de contratar 200 figurantes para o filme. O cachê será de R$ 40,00 por dia. Formaram-se filas enormes entre homens, mulheres, crianças e idosos. A equipe começou a escalar a figuração na semana passada. “Eu vi o carro de som na rua e liguei para a minha mãe me inscrever. Esses dias, eles telefonaram dizendo que fui escolhida. Eu sempre sonhei em ser atriz e aparecer na televisão”, disse uma garota de 8 anos.

A maior parte das pessoas do Jardim ABC nunca ouviu falar em Renato Russo, mas todos estão empolgados com a movimentação na esperança de que muitos olhares sejam atraídos para o local.

Na canção, João de Santo Cristo marca um duelo com seu maior inimigo, o traficante Jeremias. “amanhã, às duas horas, na Ceilândia, em frente ao Lote 14…”. Não se sabe ao certo se o Lote 14 realmente existiu ou se fazia parte do imaginário de Renato Russo. É nesse local que ocorre a cena apoteótica da música: a morte do protagonista, que pouco antes de partir assassina seu algoz.

Fonte: EFE/Brasília

 

O governo brasileiro e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançaram nesta quinta-feira (9/12) a coleção História Geral da África, com oito volumes e escrita pela primeira vez em português.

O representante da Unesco no Brasil, Vicent Defourny, explicou que se trata de um "resgate histórico", justificando que durante séculos se falou da África como um continente "sem história".

Defourny lembrou que a Unesco reuniu historiadores africanos para a elaboração da obra, que o próprio organismo editou sua primeira edição, em inglês, em 1981.

A coleção completa trata da história da África desde a Pré-história até a década de 1980, passando por diferentes civilizações e dinastias, a escravidão, a colonização e a independência dos países africanos.

A História Geral da África já foi traduzida para o árabe, para o inglês e francês, existem alguns volumes em espanhol e em poucos idiomas africanos.

O ministro brasileiro de Cultura, Juca Ferreira, explicou que a obra servirá de base para a elaboração de materiais pedagógicos e também será utilizada em um programa para o ensino da história da África que se aplicará nas escolas do país.

Em paralelo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, também presente no ato, disse que a obra representa "15 quilos de história" que, além de seu valor educativo e histórico, também servirá para combater o "preconceito racial" que persiste no Brasil e em outros países.

Por Silvana Guerra
Fonte: BBC Brasil

A cidade de Swiebodzin, Polônia, tenta finalizar as obras de montagem de uma estátua do Cristo Redentor. No entanto, os engenheiros estão tendo dificuldades em encaixar a cabeça e os braços da estátua, que mede 33 metros de altura, maior que o Cristo Redentor mais famoso do mundo, no Rio de Janeiro, Brasil.

A estátua foi construída com doações dos fieis que aguardam sua inauguração até o próximo mês, caso um guindaste maior em tamanho e em capacidade conseguir montar as peças que estão faltando.

A expectativa é a de que o Redentor polonês vire uma atração turística mundial tanto quanto ao do Rio de Janeiro.

Fonte: IG São Paulo

.

[[A 34ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece entre 22 de outubro e 4 de novembro, tem dois diretores homenageados neste ano, o alemão Wim Wenders e o japonês Akira Kurosawa, em seu centenário. A importância dada para os dois é tanta que, pela primeira vez, o evento conta com um cartaz “dupla face”, ou seja, terá duas versões diferentes. Mais de 400 filmes, em 24 salas da cidade, estão confirmados na programação.

Wenders, que esteve há dois anos no país participando da Mostra, vai inaugurar no Masp, no próximo dia 20, a exposição de fotos “Lugares, Estranhos e Quietos”, inédita no mundo. O diretor de “Paris, Texas” e “Asas do Desejo” desembarca em São Paulo uma semana antes para cuidar pessoalmente dos detalhes. “Serão fotos gigantes, uma ampliação fantástica”, afirmou o diretor e fundador da Mostra, Leon Cakoff, em coletiva de imprensa na manhã deste sábado (9). Alguns títulos da filmografia de Wenders também serão exibidos, entre eles uma versão do diretor de “Até o Fim do Mundo”, com 280 minutos.

Já Kurosawa (1910-1998) receberá, segundo Cakoff, a “maior celebração mundial” de seu centenário. Em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, trará ao Brasil, primeiro país depois do Japão, a exposição “Kurosawa – criando imagens para o cinema”, que reúne 80 storyboards produzidos pelo cineasta. Com dificuldades para financiar “Kagemusha” (1980), Kurosawa resolveu desenhar o filme inteiro para não perder as ideias que tinha imaginado.

“Ele tomou gosto pela coisa e fez isso em todos os longas seguintes”, contou o arquiteto Ricardo Ohtake. As tratativas para a vinda da exposição, que acaba de ser desmontada em Tóquio, começaram no ano passado e se estenderam até agora. “A gente sabe, os japoneses são fogo para discutir as coisas”, brincou Ohtake. Além dos desenhos, também estará na programação uma cópia restaurada de “Rashomon” (1950), um dos clássicos da obra do diretor e do cinema mundial.

A abertura da Mostra, na noite do dia 21, no Auditório Ibirapuera, terá a exibição de “O Estranho Caso de Angélica”, do veterano português Manoel de Oliveira, que, aos 101 anos, estará presente em São Paulo. Também no parque, mais duas atividade: a projeção, ao ar livre, da cópia restaurada e estendida de “Metropolis” (1927), de Fritz Lang, com acompanhamento de 80 músicos da orquestra Jazz Sinfônica; e uma programação especial na Bienal de São Paulo, no terreiro “A Pele de Invisível”.

Outros convidados que estarão em São Paulo ao longo do evento são o diretor britânico Alan Parker (“Expresso da Meia-Noite”, “The Commitments”), o israelense Samuel Maoz (“Líbano”, vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2009) e o crítico francês Michel Cement, todos no júri da competição de Novos Diretores. Também haverá homenagens ao cineasta norueguês Bent Hamer (“Factotum”) – motivador de uma mostra especial do cinema produzido na Dinamarca – e a à atriz alemã Hanna Schygulla (“O Casamento de Maria Braun”, de Rainer Werner Fassbinder), além de retrospectivas do artista francês F J Ossang, pouco conhecido no Brasil, e do curta-metragista Serge Avedikian, ganhador da Palma de Ouro em 2010.

De Cannes, aliás, vem o tailandês “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”, de Apichatpong Weerasethakul, também vencedor da Palma de Ouro, e outros filmes premiados, caso de “Of Gods and Men”, de Xavier Beauvois, representante da França no Oscar. Vitorioso no Festival de Veneza, “Um Lugar Qualquer”, de Sofia Coppola, lidera uma fila de produções que rodaram pelo circuito internacional, como “Submarino”, de Thomas Vinterberg, “Cópia Fiel”, de Abbas Kiarostami, o chinês “The Ditch”, de Wang Bing, e “Socialism”, do veterano Jean-Luc Godard.

Entre os brasileiros, “Um Dia na Vida”, novo trabalho de Eduardo Coutinho, e “Vips”, de Toniko Melo, consagrado no Festival do Rio. Filmes que devem ter suas sessões disputadas são os aguardados “Gainsbourg, Vida Heróica”, sobre a vida do cantor francês; “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos”, de Woody Allen; e “Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão”, a refilmagem de Zhang Yimou para o cult “Gosto de Sangue”, dos irmãos Coen.

No vão livre do Masp, serão projetados sempre no início da noite clássicos de John Ford, exibidos recentemente no Centro Cultural Banco do Brasil. E a última novidade: o circuito exibidor central da Mostra será todo interligado por bicicletas, numa parceria com a Sabesp.
-------------------------------
Serviço – 34ª Mostra de Cinema de São Paulo
De 22 de outubro e 4 de novembro de 2010
Programação completa será divulgada no dia 15 de outubro

Central da Mostra: Conjunto Nacional (Paulista, 2073)
Aberta de 11 a 15 de outubro, para informações, das 12h às 18h. De 16 de outubro a 04 de novembro, das 10h às 21h, para credenciamento e vendas de pacotes e permanentes.

Valores de permanentes e pacotes promocionais
Permanente integral: R$ 390
Permanente integrante Folha: R$ 331,50
Permanente especial: R$ 90
Permanente especial Folha: R$ 76,50
Pacote de 40 ingressos: R$ 285
Pacote de 20 ingressos: R$ 165

Ingressos individuais
Segunda a quinta: R$ 14 (R$ 7 meia)
Sexta a domingo: R$ 18 (R$ 9 meia)

Vendas pela internet: pelo site Ingresso.com. As entradas podem ser adquiridas com quatro dias de antecedência da sessão.]]

Por Silvana Guerra
Fonte: Correio Braziliense

A exposição “Brasília 50 Anos – Meio Século de Capital Brasileira”, inaugurada no dia 16 de setembro, em Madri, já recebeu mais de dois mil visitantes até o momento. O evento foi incluído nas comemorações do bicentenário da Independência das Repúblicas Latinoamericanas pelo Ministério de Habitação da Espanha.

Na entrada da instalação, o visitante pode conhecer um pouco mais sobre a escolha do lugar para construir a nova capital e sobre Juscelino Kubitschek, Lúcio Costa, Athos Bulcão e Oscar Niemeyer. Belas e coloridas imagens de Brasília, de autoria do fotógrafo Fábio Colombini, mostram uma cidade alegre e viva. Além de fotos, textos e vídeos sobre Brasília, a mostra também traz a maquete de 30 metros quadrados feita pelo arquiteto Antônio José Pereira de Oliveira.

O maquetista que reproduziu a criação de Lúcio Costa, em 1988, precisou voltar à Brasília para atualizar o projeto da capital, reduzida 1.350 vezes. Em sua primeira versão não havia, entre outras edificações, a Ponte JK, que já pode ser apreciada pelo visitante europeu.

A Vice-Governadora, Ivelise Longhi, que participou da abertura da exposição, ficou feliz com o impacto que a obra causou nas pessoas. “Dava para perceber na expressão delas o encantamento com a maquete, com o formato, o desenho. Isso é muito bom, pois pode fomentar o turismo como fonte de renda em Brasília”, disse a Vice-Governadora.

A obra permanece em Madri até o dia 7 de novembro e voltará assim que terminar a viagem pela Europa. A exposição passa por Lisboa (Portugal), Milão (Itália) e Munique (Alemanha).

Por Silvana Guerra
Fonte: AFP

A Biblioteca do Vaticano reabre suas portas na próxima segunda-feira, após ficar três anos fechada para ser submetida a uma intensa restauração. As intervenções, que custaram perto de dez milhões de euros, incluíram o reforço das fundações, mas também uma série de inovações tecnológicas.

Na obra foi incluído um sistema de monitorização dos livros através de “chips”, para garantir que estes não são levados para fora das zonas de consulta. A introdução de sistemas de segurança mais sofisticados era considerada indispensável, já que se conhecem vários casos de roubos perpetrados no interior da biblioteca.

Muitos investigadores estão aliviados com a reabertura da Biblioteca, considerada a mais valiosa coleção de manuscritos do mundo.

.
[[Em meados dos anos 1990, um historiador de arte norte-americano, Anthony Menikas, foi detido após ter vendido a um alfarrabista duas páginas que rasgara de um manuscrito da Biblioteca do Vaticano, uma cópia do Código Justiniano que pertencera ao poeta renascentista Francesco Petrarca.

Para lá da intervenções menos visíveis, as obras incluíram ainda a construção de uma torre de tijolo no pátio interior da biblioteca, que outrora integrava o famoso Cortile del Belvedere, projetado no início do século XVI pelo arquiteto Donato Bramante. A nova construção destina-se a encobrir um elevador e uma escadaria de acesso à caixa-forte onde se conservam os manuscritos.

Apesar de o encerramento da biblioteca ter provocado muitos protestos da parte de investigadores de todo o mundo, as obras cumpriram escrupulosamente os prazos previstos e ofereceram aos utentes algumas inovações úteis, como a possibilidade de ligarem os seus computadores à rede da biblioteca ou encomendarem reproduções fotográficas de documentos a partir de casa.

Mas a Biblioteca do Vaticano continua a ter especificidades que a distinguem das grande bibliotecas públicas. Desde logo, é necessária uma autorização especial para a consultar “in loco”, de que beneficiam anualmente cerca de cinco mil acadêmicos. E não se pode entrar nas salas de leitura com quaisquer instrumentos de escrita ou, por exemplo, com uma simples garrafa de água. O Vaticano conserva muitos documentos que não estão disponíveis para nenhum investigador exterior à instituição e que se encontram no seu célebre arquivo secreto.

Entre as muitas preciosidades da biblioteca, algumas das mais famosas são dois manuscritos de obras do poeta romano Virgílio e os chamados Papiros Bodmer, recentemente oferecidos ao Vaticano pelo filantropo católico norte-americano Frank J. Hanna, uma cópia parcial dos evangelhos de Lucas e João, que terá sido manuscrita no início do século III.]]

Por Silvana Guerra
Fonte: BBC Brasil

Os artistas Thyra Hildez, da Dinamarca, e Pio Diaz, da Argentina, criaram um aparente incêndio utilizando luzes e projeção de imagens para criar uma visão de impressionante realismo. Quem passar pelo Coliseu nas noites deste fim de semana, presenciará um impressionante realismo da obra.

O evento multimídia vai evocar o famoso incêndio provocado pelo imperador Nero, no ano 64, quase 20 anos antes da inauguração do anfiteatro. Após 6 dias e 7 noites, o fogo destruiu praticamente toda a cidade, enquanto Nero admirava as chamas cantando “A destruição de Tróia”, da torre de um palácio.
————

Observação: Não foi possível colocar o vídeo, mas quem quiser assistir a incrível obra multimídia, procure pelo vídeo no site da BBC Brasil, ou entre direto com esse endereço: http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2010/09/100918_coliseuassiminavideo.shtml

Como eu não moro logo ali, assisti ao vídeo, é incrível.

.

‘City on Fire’
Um jogo de luzes e projeções, vai dar a impressão que as chamas dominam as arcadas do Coliseu durante toda a noite. O espetáculo vai ser visto da grande avenida que leva ao monumento, passando pelo antigo Foro Romano.

O Evento, patrocinado pelo Ministério da cultura da Itália, faz parte do projeto “City on Fire”, no qual os dois artistas põem fogo virtual em igrejas e monumentos símbolo da herança cultural européia. Eles já fizeram instalações semelhantes em cidades como Berlim, Frankfurt, Kiev e Copenhague.

A intenção deles é promover um debate sobre a fragilidade e a transitoriedade das construções realizadas pelo homem, alertando para a consequência da perda da herançacultural.

‘Símbolo de renovação’
O Coliseu recebe 4 milhões de visitantes por ano e é considerado o maior símbolo de herança cultural ainda existente.

“O Coliseu teve um papel político, social e econômico muito importante desde sua inauguração no ano 80 dC. Com o incêndio virtual, ele se torna símbolo de renovação”, disse Rossella Rea, diretora do monumento.

Com o nome oficial de anfiteatro Flavio, a arena é símbolo da Roma imperial, emblema da cidade e guardiã de uma história complexa que mistura grandiosidade, poder e crueldade.

Construído para ser palco de lutas ferozes entre gladiadores e também com animais para divertir o público, foi cenário de torturas e morte cruel dos primeiros cristãos.

Fonte: Agência EFE

.
[Os judeus de todo o mundo, entre eles os quase 6 milhões que vivem no Estado de Israel, celebram a partir desta tarde a chegada do Ano Novo 5771 do calendário hebreu, que marca o aniversário da criação do mundo.

A festividade, que se prolongará durante vários dias, coincide neste ano com as vésperas da jornada de descanso sabático do judaísmo, caracterizada pela degustação de alimentos doces, símbolos de bons agouros e o som do "shofar", um instrumento musical feito com couro retorcido de carneiro.

Conhecido como "Rosh Hashaná", o Ano Novo é celebrado dois dias antes do começo do mês hebraico de "tishrei", conforme a tradição que data de 4.500 anos, quando a data era anunciada a partir de Jerusalém a todas as comunidades por meio de fogueiras.

A comemoração representa o início de uma série de dias, os "Yamim Noraim", ou "Dias de Penitência", que culminarão com o dia mais solene do calendário hebreu, o "Yom Kippur", no qual Deus decide quem será inscrito no "Livro da Vida".

Por esta razão e durante esses dias festivos e de reflexão, é costume escutar aos judeus religiosos saudando-os com bênçãos.

Entre outros hábitos desta tradição está acudir a fontes de água, como mares, rios ou mananciais para "desfazer-se dos pecados e imoralidades" do ano que chega ao fim.]

Por Silvana Guerra
Fonte: Opera Mundi

[Conta-se que um grupo de ocidentais estava em uma caminhonete, viajando por uma estrada de um país do Oriente Médio. A certa altura, avistaram um habitante local caminhando. Pararam imediatamente e perguntaram aonde ia o peregrino. Quando descobriram que o destino era o mesmo, ofereceram carona. Afinal, andando, o homem chegaria em dois dias, ao passo que se entrasse na caminhonete chegaria ainda antes do próximo entardecer. A resposta do homem foi precisa: "Chegar antes para quê?".

As diferenças culturais entre ocidente e oriente são um dos temas abordados no livro "O Irã sob o Chador - duas brasileiras no país dos aiatolás", de Adriana Carranca e Márcia Camargos (Editora Globo, 248 págs., R$ 29,90), lançado em São Paulo no dia 30/8. O livro contém relatos destas jornalistas brasileiras, que viajaram para o Irã por motivos diferentes, e contam suas experiências no país, atualmente foco de muitos questionamentos políticos e culturais. É um lugar que, apesar das tentativas do governo de proibir acesso a sites como Twitter e Facebook, reúne 1,4 milhão de usuários e 800 mil contas ativas nessas redes sociais.

O livro é uma espécie de guia turístico e literário dividido entre as duas narrativas das autoras, que, em linguagens distintas, mostram um país acolhedor. “Achei que iria encontrar mulheres revoltadas, lutando contra a situação na qual se encontram, mas nāo. Foi muito diferente. Percebi que elas vivem aquele mundo e que sāo felizes daquele jeito. É preciso respeitar”, diz Márcia Camargos.

Autora de 19 livros publicados e agraciada com diversos prêmios literários, Márcia já havia falado sobre o Irā. Seu livro A Travessia do Albatroz (Ediouro, 2007) é uma ficçāo baseada em uma história real, sobre um iraniano que refugiou-se no Brasil, no ano de 1982, em plena guerra Irã-Iraque. Em 2008, Márcia viajou a convite do Festival Cine Verdade, mas resolveu esticar o passeio e acabou conhecendo diversos lugares e visitando o personagem de seu livro anterior. Kurosh, nome fictício, vive atualmente no Irā, casado com uma mulher iraniana e aparentemente feliz, para certa frustração da autora, que não esperava encontrar um revolucionário assim apagado.

“É um certo egoísmo meu, mas vi aquele jovem que vivenciou de tudo aqui no Brasil, terra de costumes tão diferentes, levando uma vida da qual fugiu”, lamenta. Não é difícil encontrar, também no Brasil, regras de bons costumes impondo comportamento às mulheres. A diferença é que, aqui, o julgamento é feito pela própria sociedade.

“A Dilma não teve que contratar um personal stylist porque achavam que era importante para a campanha?”, pergunta Márcia sobre a atual candidata do PT nas eleições presidenciais de 2010. “Aqui vale mais ser uma mulher gostosa do que inteligente. Primeiro te avaliam pelo objeto, depois, se você passar pelo crivo, pode ser que a sua inteligência conte”.

Medo e preconceito
Para as mulheres que vivem em alguns países do Oriente Médio, chador, burca e niqab são vestimentas obrigatórias. “Achei que poderia usar qualquer roupa por ser estrangeira, mas não funciona desse jeito. As próprias mulheres ao redor te avisam e ajudam a consertar quando algo está errado." O medo é grande, já que os policiais circulam pelas ruas e as consequências de um ato de desacato podem ser drásticas.

Na Espanha e na França, foram aprovadas recentemente leis polêmicas que proíbem o uso da burca em lugares públicos, medida defendida por Márcia. “Aí é outra história. Tem toda a questão da isonomia, das leis da Espanha e dos direitos iguais. Se aquela mulher pode, por exemplo, passar na Polícia Federal sem mostrar o rosto, eu também tenho que ter a mesma regalia”, enfatiza.

“Na fase que precedeu nossas respectivas viagens, perguntavam se teríamos coragem de enfrentar uma regiāo inóspita semeada de homens-bomba, minas terrestres e outros absurdos”, contam as autoras, que só se conheceram depois de voltar e tiveram vontade de transformar seus relatos de viagem em livro.

Ao ler um artigo de Adriana Carranca no jornal O Estado de S. Paulo, Márcia resolveu se apresentar. “Existe uma comunidade de brasileiros que já foram para o Irā e que se encontram para trocar experiências e dicas”, comenta Márcia.

Sensação de dúvida
O resultado é instigante, e a leitura, despretensiosa. Na primeira parte, Márcia, doutora em história, situa o leitor com diversas informações sobre o contexto iraniano, levando-o em sua viagem: os cheiros, as impressões e os medos vêm misturados a dados sobre o país. Quem lê pode se preparar para encontrar mais histórias de pessoas acolhedoras do que hostis. A grande dificuldade é a língua. Como o alfabeto é árabe, usado para escrever o persa, é extremamente diferente do latino, é fundamental a presença de um guia.

A experiência que mais assustou Márcia foi a viagem de ônibus que teve de fazer sozinha. “Ali foi o momento mais apreensivo porque fiquei na mão do cobrador e do motorista, mas eu estava como convidada oficial, eles não poderiam também fazer qualquer coisa sem algum bom motivo”, lembra.

A narrativa de Adriana, também em primeira pessoa, é mais jornalística do que literária. É um pouco mais fragmentada, por ser composta de uma série de artigos, mas complementa-se perfeitamente com a de sua co-autora. O livro ainda apresenta curiosidades como as ruínas históricas de Pasárgada, cidade localizada ao lado de Teerã e mencionada no famoso verso de Manuel Bandeira.

Ao final do livro as autoras colocaram dicas para quem pensa em visitar o país e também um mini-guia de palavras e expressões em persa. E o que fica, ao término da leitura, é uma sensação de dúvida frente ao pré-julgamento que frequentemente fazemos ao lidarmos com uma cultura tão distante em quilômetros e significados.]

Próxima Página »