Um artigo da revista científica Nature, publicado em 25 de abril de 1953, descreve pela primeira vez a estrutura em dupla hélice do ácido desoxiribonucleico (DNA em sua sigla em inglês), suporte do patrimônio genético humano. O artigo escrito pelo biólogo norte-americano de 24 anos, James Dewey Watson, e pelo médico britânico de 36 anos, Francis Harry Compton Crick, explica como o DNA contido nas células de todos os seres vivos permite a sua duplicação. Os dois receberiam os prêmios Nobel de fisiologia e de medicina em 1962.
O código do DNA é um programa de vida específico a cada espécie e, em todo o caso, personalizado. A unicidade do ser ficou provada. A decodificação, ou a decifração, do DNA esconde um potencial ainda dificilmente quantificável. Progressos médicos e manipulações genéticas vieram a seguir. Hoje a decifração do DNA se presta a investigações policiais, à definição de paternidade, entrando para o vocabulário cotidiano.
As propriedades físicas e químicas do DNA servem tanto para a duplicação quanto para a transferência de informação. Para se ter uma idéia ou uma imagem do DNA, basta pensar em duas fitas paralelas helicoidais, de dupla hélice. Essas fitas são formadas de filamentos, já que as moléculas do DNA têm a forma filamentosa. São filamentos paralelos devido à ponte, chamada ponte de hidrogênio, que liga uma cadeia de filamentos à outra.
Se tentarmos localizar o DNA, veremos que se localiza dentro de nosso corpo, mas que não se concentra em uma parte específica dele, é distribuído entre as células. Curiosamente, existe cerca de um milhão de bilhões de células constituindo um corpo humano médio e, com algumas exceções, cada uma dessas células contém uma cópia completa do DNA daquele corpo.
O DNA é, dos ácidos nucléicos, o que instiga mais a curiosidade, pelas suas características e pelas suas várias funções. O DNA é então formado por uma base hidrogenada e pelos nucleotídeos, que são a guanina, a citosina, a adenosina e a timina.
A partir das pesquisas sobre o DNA e suas funções, os cientistas podem hoje manipular os genes diretamente, sob formas cada vez mais sofisticadas. É possível extrair o DNA de uma célula, fragmentar esse DNA, separar as partes contendo alguns genes específicos e introduzir esses genes em outro organismo vivo. É o que faz a Engenharia Genética, identificando um gene, isolando-o e multiplicando-o a partir de diversos organismos vivos. De uma gota de sangue, de um fio de cabelo ou de um osso se pode extrair o DNA.
A identificação genética de um animal pode ser feita hoje a partir de um simples segmento de DNA encontrado em um osso. Esse segmento pode ser mil vezes multiplicado até se produzir uma quantidade de DNA que seja suficiente para a identificação.
Por outro lado, uma espécie pode receber genes de um ser vivo de outra espécie – isso vem sendo feito há muito tempo com plantas – e, assim, essa espécie é instruída a produzir substâncias novas, a partir do gene recebido.
Os estudos do DNA já levaram a Engenharia Genética à técnica da clonagem, inclusive em bactérias e vírus.
Modernamente, o que mais vem chamando a atenção do mundo é o Projeto Genoma. Este é um projeto internacional, em que cientistas de várias partes do mundo juntaram esforços e intercambiaram pesquisas com o objetivo de traçar o ‘mapa’ do organismo humano. O esperado é que se possa detectar, através da decifração dos códigos do DNA, todas as possíveis doenças que o homem possa ter e como mudar a orientação daquele organismo, eliminando-as.
É de se ressaltar que James Watson, numa entrevista publicada em 2007, afirmou que pessoas de ascendência africana são intrinsecamente menos inteligentes que os de ascendência européia, o que o levou a ser suspenso e posteriormente excluído como diretor do Laboratório Cold Spring Harbor.