Fonte: Opera Mundi
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Após três jornadas insurrecionais em 22, 23 e 24 de fevereiro de 1848, o rei Luis Filipe I abdica em favor de seu neto, o Conde de Paris, e foge para a Inglaterra. A Câmara de Deputados rejeita o novo soberano e constitui um governo provisório formado por Lamartina, Dupont de l’Eure, Arago, Ledru-Rollin, Garnier-Pagès, Crémieux e Marie. A primeira medida tomada pelo governo provisório foi de proclamar a República.
A França iria viver diversas semanas em meio a uma doce euforia, comumente chamada de “A Ilusão Lírica”. Contudo, a II República se defrontaria rapidamente com uma montanha de problemas e teria fim a partir de dezembro de 1851 com o golpe de Estado de Napoleão Bonaparte e em seguida a restauração do Império um ano mais tarde.
Três dias depois da instauração da II República, o novo governo sob pressão de Louis Blanc, político e historiador, considerado por Karl Marx como socialista utópico, pressionou para que fossem criadas associações profissionais de trabalhadores de um mesmo ramo de produção, as Oficinas Nacionais (Les Ateliers Nationaux), financiadas pelo Estado.
O lucro seria dividido entre o Estado, os associados e para fins assistenciais. Enfim, como líder do proletariado, exigia que o Estado se apoderasse do sistema econômico para garantir trabalho e justiça para todos. As Oficinas Nacionais são abertas e começam a absorver o desemprego, empregando operários sem trabalho. Cerca de 100 mil pessoas se inscrevem no escritório de contratação. Um programa de grandes obras é lançado em Paris com a construção das estações ferroviárias de Montparnasse e de Saint-Lazare. As Oficinas Nacionais, insuficientes e mal organizadas, passaram a ser controladas pelos militantes revolucionários. Seriam dissolvidas em 21 de junho, causando uma revolta sangrenta.
A milícia burguesa criada sob a Revolução para controlar as manifestações populares é aberta a todos os cidadãos em 8 de março. Desarmada por Napoleão e tendo retomado suas funções sob a Restauração e a Monarquia, esta milícia foi um elemento determinante pelo sucesso ou fracasso das insurreições. Desse modo, em 1830, dissolvida mas não desarmada como em fevereiro de 1848, contribuiu poderosamente para a derrubada dos regimes em vigor.
Esta abertura ao conjunto dos franceses é simbólica e, a exemplo do sufrágio universal, proclamado em 2 de março pelo qual todos os cidadãos com mais de 21 anos foram convocados a eleger uma Assembléia Constituinte e que votaria a nova constituição em 4 de novembro, propicia o sentimento de ser representativa, pelo menos de direito, do conjunto da população. Contudo, viria a ser três meses depois uma arma de repressão feroz contra as Oficinas Nacionais, fenômeno que se reproduziria em 1871 com a Comuna de Paris.
Em 15 de maio de 1848, os revolucionários Armand Barbès, Auguste Blanqui, François Vincent Raspail e o operário Albert, seguidos por uma multidão de 50 mil pessoas investem sobre o Palácio Bourbon sede da Assembléia Nacional. A manifestação, que originalmente era para pedir uma intervenção na Polônia, dá origem a uma ampla repressão. O governo retoma o controle e prende os líderes. É a derrota do campo operário e socialista. Em 21 de junho, o Estado fecha as Oficinas Nacionais e começa a perseguir os socialistas, anulando todas as reformas feitas em benefício da classe operária.
A dissolução das Oficinas provoca uma insurreição popular. As oficinas, locais de concentração e agitação dos trabalhadores, assustavam a nova Assembléia conservadora que decidiu fechá-las. A repressão à revolta operária faria mais de 5 mil vítimas.
Eleito em 11 de dezembro de 1848 à presidência da República com 74 por cento dos sufrágios, Luis-Napoleão Bonaparte presta em 20 de dezembro, juramento diante da tribuna e jura “na presença de Deus e do povo francês, representado pela Assembleia Nacional, ser fiel à República, uma e indivisível, e de cumprir todos os deveres que lhe impõe a Constituição” Em dezembro de 1851 o sobrinho de Napoleão Bonaparte arquitetaria um golpe de Estado que lhe permitiu restabelecer a monarquia, sagrando-se imperador sob o título de Napoleão III em 1852.