Por Silvana Guerra
Fonte: Portal Defesanet
O Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, anunciou oficialmente a linhas estratégicas do organismo para a próxima década. O comunicado foi feito no dia 19/11, durante reunião dos líderes da aliança militar, em Lisboa (Portugal), e apresenta a nova estratégica militar e seus principais pontos.
Anders Rasmussen enfatiza a necessidade de que a aliança mantenha-se efetiva diante de novas ameaças e desafios, e aponta investimento em capacidade de contrainsurgência, estabilização e reconstrução como fatores tão importantes quanto a ação militar tradicional.
O Secretário-Geral, que brincou utilizando o termo Otan 3.0, admite o aprendizado de novas lições com o Afeganistão e salienta que as novas diretrizes da Aliança destacam a importância da ação conjunta de forças civis e militares.
Outras novidades são para os ciberataques e preocupação com mudanças climáticas, que não muda, segundo o documento, é que a Otan continuará uma Aliança com poder nuclear “enquanto houver armas nucleares no mundo”. “O objetivo da Otan é defesa, e em um mundo nuclear, isso inclui dissuasão nuclear”, justificou Rasmussen.
Abaixo, os principais pontos do documento, de 11 páginas
O Conceito Estratégico guiará a próxima fase da evolução da Otan, de modo que continue a ser efetiva em um mundo em mudança, contra novas ameaças, com novas capacidades e novos parceiros.
• [A estratégia] confere à Aliança o compromisso de prevenir crises, gerenciar conflitos e estabilizar situações de pós-conflito, inclusive trabalhando mais de perto com nossos parceiros internacionais, principalmente Nações Unidas e União Europeia.
• [A estratégia] confere à Aliança o objetivo de criar as condições para um mundo sem armas nucleares – mas reitera que, enquanto houver armas nucleares no mundo, Otan continuará sendo uma Aliança nuclear.
• [A estratégia] reitera nosso comprometimento em manter a porta para a Otan aberta para todas as democracias europeias que atingirem os parâmetros de entrada, porque ampliação contribui para nosso objetivo de uma Europa unida, livre e pacífica.
• Os cidadãos de nossos países confiam na Otan para defender nações aliadas, mobilizas forças militares robustas onde e quando demandado para nossa segurança, e para ajudar na promoção de segurança comum entre nossos parceiros do globo. Enquanto o mundo está mudando, a missão essencial da Otan continua a mesma: garantir que a Aliança continue uma comunidade ímpar de liberdade, paz, segurança e valores compartilhados.
Três tarefas essenciais
1. Defesa coletiva. Membros da Otan sempre se ajudarão mutuamente contra um ataque, de acordo com o artigo 5 do Tratado de Washington (…).
2. Gerenciamento de crise. Otan tem um quadro de capacidades políticas e militares robusto e único para lidar com o completo espectro de crises – antes, durante e depois dos conflitos (…).
3. Segurança cooperativa. (…) A Aliança se envolverá ativamente para garantir segurança internacional, por meio de parceria com países relevantes e outras organizações internacionais; contribuindo ativamente para o controle de armas, não proliferação e desarmamento; e mantendo a porta aberta para inclusão de todas as democracias europeias que atingirem os parâmetros da Otan.
Cenário da Segurança
• Hoje, a área Euro-Atlântica está em paz e a ameaça de um ataque convencional contra um território da Otan é pequena. (…) Contudo, a ameaça convencional não deve ser ignorada. Muitas regiões e países no mundo experimentam aquisição de capacidades militares modernas, com consequências para a estabilidade mundial e para a segurança Euro-Atlântica difíceis de prever (…).
• A proliferação de armas nucleares e armas de destruição em massa e seus vetores apresenta uma ameaça de consequências incalculáveis para a estabilidade e prosperidade globais. Na próxima década, a proliferação será mais aguda em algumas das regiões mais voláteis do mundo.
• Terrorismo representa uma ameaça direta para a segurança dos cidadãos dos países da Otan, e para a estabilidade internacional e prosperidade de modo amplo. Grupos extremistas continuarão a se espalhar para e em áreas de importância estratégia para a Aliança, e tecnologia moderna aumenta a ameaça e impacto potencial de ataques terroristas, em particular se os terroristas adquirirem capacidades nuclear, química, biológica ou radiológica.
• Ciberataques estão se tornando mais frequentes, mais organizados e mais caros nos danos que causam para governos, negócios, economias e potencialmente também em redes de transporte e abastecimento e outras infraestruturas críticas; eles podem alcançar o limiar de ameaçar a prosperidade, segurança e estabilidade nacional e Euro-Atlantica. Militares e serviços de inteligência estrangeiros, crime organizado, grupos terroristas ou extremistas podem ser a fonte de tais ataques.
• Restrições ambientais e de recursos, incluindo riscos sanitários, mudança climática, falta de água e crescentes necessidades energéticas darão forma ao ambiente de segurança do futuro em áreas de interesse da Otan e têm potencial para afetar significativamente planejamentos e operações da Otan.
Defensa e dissuasão
Garantiremos que a Otan tenha todo espectro de capacidades necessárias para deter e defender contra qualquer ameaça para a segurança de nossas populações. Para isso, iremos:
•manter uma combinação apropriada de forças convencionais e nucleares.(…)
•desenvolver a capacidade de defender nossas populações e territórios contra ataques de mísseis balísticos como um elemento central de nossa defesa coletiva (…). Buscaremos ativamente cooperação em defesa antimíssil com Rússia e outros parceiros Euro-Atlânticos. (…)
•desenvolver a capacidade da Otan em defesa contra ameaça química, biológica, radiológica e nuclear de destruição em massa.
•desenvolver a habilidade de prevenir, detectar, se defender contra e se recuperar de ciberataques, inclusive utilizando o processo de planejamento da Otan para aprimorar e coordenar as capacidades de ciberdefesa nacionais, trazendo todos os organismos da Otan para uma ciberproteção centralizada, e melhor integrando a ciberciência, ciberalarme e ciber-resposta da Otan com países membros.
Segurança através do gerenciamento de crise
•A Otan vai se engajar, onde possível e quando necessário, para prevenir crises, administrar crises e estabilizar situações pós-conflito e apoiar reconstrução.
•As lições aprendidas pelas operações da Otan, em particular no Afeganistão e nos Bálcãs, deixam claro que uma abordagem ampla política, civil e militar é necessária para administração efetiva das crises (…).
Para sermos efetivos ao longo do espectro do gerenciamento de crises, iremos:
•aprimorar o compartilhamento de inteligência entre a Otan (…).
•formar uma capacidade de gerência de crise civil, apropriada, mas modesta, para interagir mais efetivamente com parceiros civis (…).
•estimular planejamento civil-militar ao longo do espectro de gerenciamento de crise.
•desenvolver a capacidade de treinar e desenvolver forças locais em zonas de crise, de modo que as autoridades locais possam, o mais rápido possível, manter a segurança sem assistência internacional (…).