dom 31 out 2010
Análise dos Ganhos do Investidor
Posted by Silvana G. P. under Economia
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Fonte: Folha/Por Epaminondas Neto
A Bolsa de Valores e o ouro foram os que obtiveram maior desempenho neste mês. A inflação bateu os investimentos conservadores e os mais agressivos, como as aplicações atreladas ao dólar, decepcionaram.
O investidor teve que se arriscar em outubro para superar a inflação do mês (1,01%, pelo IGP-M). As aplicações de corte mais conservador, como os fundos de investimento do tipo renda fixa, ou mesmo a poupança, não entregaram rentabilidade suficiente para preservar o capital investido contra o aumento dos preços.
Enquanto a aplicação mais popular do país teve rendimento de 0,55%, o CDI, referência para os tradicionais fundos DI apresentaram um retorno de 0,81%, em média. O mesmo vale para um dos mais notórios “produtos de balcão” nos bancos: o CDB, cuja rentabilidade média é calculada em 0,80%.
Indo para o campo dos investimentos mais agressivos, aplicações atreladas ao dólar também decepcionaram, já que a taxa de referência (o dólar comercial) teve uma alta moderada de 0,65% no mês, insuficiente, portanto, para cobrir a inflação do período.
Os desempenhos são melhores no caso da Bolsa de Valores, e do ouro, um investimento de âmbito bem mais restrito. O “termômetro” do mercado de capitais brasileiro, e tradicional referência para fundos de renda variável, o Ibovespa, teve valorização de 1,79% em outubro, sem repetir o desempenho robusto do mês passado (quando oscilou quase 7%).
A commodity foi a campeã no rol de investimentos do mês. Considerando os preços praticados no mercado da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), teve um ganho acumulado de 7,67%.
O quadro acima se repete com poucas variações numa perspectiva anual: o ouro mantém a posição de ativo mais rentável (29,03%), mas as aplicações de renda fixa têm desempenho melhor (7,87%, no caso do CDI, 5,65% para a poupança), enquanto a Bolsa (3,04%) e o dólar (desvalorização de 2,3%) têm os piores retornos.
Mais uma vez, a inflação acumulada no período –8,98% (IGP-M)– bateu grande parte das aplicações.
Em termos de perspectivas do mercado financeiro, as taxas de juros devem subir ainda no primeiro trimestre do ano que vem, o que tende a favorecer os fundos DI, e deprimir o dólar. “Os analistas que esperavam um dólar a R$ 1,75 no final do ano, já baixaram as projeções para R$ 1,70; e os que esperavam um dólar a R$ 1,80 em 2011, já revisaram para R$ 1,75″, comenta Mário Paiva, analista da corretora BGC Liquidez.
No caso da Bolsa, o mercado segue dividido: enquanto uma parcela prevê o Ibovespa (hoje, na casa dos 70 mil pontos) chegando aos 80 mil nos meses seguintes, uma corrente de analistas vê o índice ainda patinando, com “viés” de baixa, num contexto ainda complicado da economia mundial.

