Archive for setembro 25th, 2009

Fonte: Agência FAPESP

Um ano depois das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, uniram esforços para destacar as colaborações científicas – dos mais variados tipos e em diferentes áreas do conhecimento – realizadas por pesquisadores dos dois países ao longo desse período.

O livro Centenário Brasil-Japão: USP e a Cooperação Científica Nipo-Brasileira, que acaba de ser lançado, foi escrito a partir de entrevistas com 35 cientistas brasileiros que, ao longo desse período, participaram de algum tipo de interação acadêmica com colegas de instituições de pesquisa japonesas.

A obra foi organizada por José Aparecido da Silva, professor do Departamento de Psicologia e Educação da USP de Ribeirão Preto, Rosemary Conceição dos Santos, pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e Amando Siuiti Ito, Oswaldo Baffa Filho e Sumeire Takahashi de Oliveira, todos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP.

A despeito de obstáculos como dificuldades financeiras e distanciamento familiar, o livro mostra como esses pesquisadores se propuseram a cooperar com as diversas universidades orientais para a troca de experiências e o aprendizado de novas técnicas e metodologias de pesquisa. “Sempre se fala muito sobre a interação entre as duas culturas e pouco se diz sobre a colaboração científica existente entre Brasil e Japão. Além de destacar as semelhanças e as diferenças no campo da pesquisa científica, o livro também aborda os reflexos dessas interações acadêmicas para ambos os países – impactos que ocorreram no âmbito social e cultural, influenciando até as relações diplomáticas”, disse José Aparecido da Silva à Agência FAPESP.

“As entrevistas com os cientistas brasileiros, muitos descendentes de japoneses, deixam claras as inúmeras virtudes dessa parceria, entre elas a dedicação dos pesquisadores às diferentes disciplinas, aos principais resultados e benefícios acadêmico-científicos, ao compartilhamento de equipamentos e infraestrutura de pesquisa e ao notável envolvimento dos cientistas na busca por novas descobertas”, aponta o docente. Em sua maioria apoiados por bolsas do Monbusho, o Ministério da Educação do Japão, os pesquisadores entrevistados abordam temas que foram divididos em tópicos como interação, apoio, vínculos e influências; fomento às relações; dificuldades encontradas nas pesquisas feitas no Japão e no Brasil.

A publicação detalha, por exemplo, a grande afinidade que a ciência japonesa possui com a brasileira na área de exatas. “Identificamos uma grande interação histórica nessa área entre os cientistas dos países, com dezenas de estudos bem-sucedidos. Um dos reflexos dessa interação é que, atualmente, entre 15% e 20% dos estudantes das universidades públicas do Brasil, na área de exatas, são de origem asiática, provenientes, sobretudo, do Japão”, apontou.

O livro apresenta ainda a situação econômica do Japão, que conta com mais recursos financeiros para as pesquisas do que os disponíveis no Brasil, além de possuir forte apoio do setor industrial para esse fim, o que lhes permite imprimir maior agilidade e diversidade em suas diversas frentes de investigação. Por outro lado, os autores apontam também que, apesar de terem menos recursos, os pesquisadores brasileiros geralmente desenvolvem, com agilidade, trabalhos significativos que costumam servir de estímulo aos pesquisadores japoneses.

“Historicamente os brasileiros ensinaram, mas também vêm aprendendo muito com os japoneses e, apesar das grandes diferenças culturais, o livro se propõe a solidificar ainda mais as relações entre cientistas dos dois países”, conclui José Aparecido da Silva.

Fonte: Agência FAPESP

As mais antigas fibras usadas por humanos foram descobertas por um grupo internacional de cientistas na Geórgia, república do Cáucaso localizada na fronteira entre Europa e Ásia. As fibras, de linho (Linum usitatissimum), eram usadas há mais de 30 mil anos, como descreve artigo publicado na revista Science.

De acordo com a pesquisa, as fibras, de diferentes dimensões, eram empregadas como cordas ou linhas para amarrar ferramentas de pedra e costurar cestos ou vestimentas. As fibras eram trançadas ou usadas com numerosos nós e até mesmo tingidas, em tonalidades como cinza, preto, azul ou rosa.

As fibras foram encontradas na caverna de Dzudzuana, que reúne uma série de camadas sedimentares do Paleolítico superior. Também foram identificados restos de cabelo humano, insetos e fungos que costumam crescer em materiais têxteis.

“Essa foi uma invenção fundamental dos primeiros humanos. Eles podem ter usado tais fibras para criar vestimentas, cordas ou cestos, itens usados principalmente em atividades domésticas. Sabemos que eles usavam linho selvagem que crescia nos arredores da caverna”, disse Ofer Bar-Yosef, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo.

Os itens criados com a ajuda das fibras aumentavam as chances de sobrevivência e de mobilidade nas condições adversas encontradas na região montanhosa. Os cientistas estimam que as fibras podem ter sido usadas para a manufatura de roupas e calçados, que garantiriam a sobrevivência durante o rigoroso inverno.

O estudo aponta que as fibras também podem ter sido aplicadas na produção de cestos para carregar itens essenciais, melhorando a mobilidade e oferecendo uma grande vantagem em uma sociedade baseada na caça.

Algumas das fibras descobertas estavam trançadas, indicando que foram usadas como cordas. Outras foram tingidas, com o uso de plantas encontradas na região.

As amostras descobertas não são visíveis ao olho nu porque os itens que elas preendiam foram desintegrados há muito tempo. Os pesquisadores descobriram as fibras por meio do exame microscópico de amostras de argila retiradas de diferentes camadas da caverna.

Até então, o uso mais antigo de fibras pelo homem havia sido registrado no sítio arqueológico de Dolni Vestonice, na República Checa, com 28 mil anos.

Os cientistas encontraram as fibras enquanto analisavam amostras de pólen de árvores em estudo das variações ambientais e de temperatura em um período de milhares de anos.

Fonte: Agência USP

O transtorno bipolar é uma doença que afeta o humor, levando a pessoa a ter alternância de episódios de euforia e depressão. Nas famílias em que um dos parceiros tem a doença, há 10 vezes mais chance de um dos filhos apresentar o problema, enquanto que na população em geral, esse número é de 1%. Um projeto de pesquisa que visa estudar os genes envolvidos com a doença nas famílias de crianças com o transtorno acaba de ser premiado pelo Programa L’Oréal/Unesco Para Mulheres na Ciência.

O projeto “Estudo genético do sistema do paminérgico em famílias de crianças com o transtorno do humor bipolar” está sendo desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) por uma equipe de pesquisadores ligados ao Laboratório de Neuroimagem em Psiquiatria (LIM-21) e do Programa de Transtorno Bipolar (PROMAN) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC), ambos da FMUSP.

De acordo com a psiquiatra Sheila Cavalcante Caetano, que foi agraciada com o prêmio, os pesquisadores irão colher amostras de sangue dos pais e das mães de crianças com transtorno bipolar para realizar uma avaliação genética visando entender quais genes estão ligados ao aparecimento do transtorno nos filhos. “Usaremos o prêmio de 20 mil dólares para o desenvolvimento da pesquisa, que estava orçada exatamente neste valor”, comenta a médica. “Acreditamos que agora no mês de outubro vamos iniciar as primeiras coletas”, informa. Segundo ela, o projeto já foi aprovado pela Comissão de Ética da FMUSP.

Sheila ressalta que o transtorno bipolar apresenta uma forte carga genética, mas não é uma doença determinista. “Isso significa que não é toda criança com pais onde um dos conjuges tem a doença que irá desenvolver o transtorno. O que ocorre é que há uma incidência de 10% em crianças com pais que têm a doença. Na população em geral, o índice é de 1%”, destaca. Ela lembra que 40% dos filhos de pais acometidos pela doença terão algum tipo de doença psiquiátrica, como depressão e transtornos de ansiedade.

Dopamina

A psiquiatra explica que, no cérebro, a comunicação entre os neurônios acontece por meio de neurotransmissores, como a dopamina. “Nos casos de esquizofrenia, os pacientes têm alguns sintomas psicóticos, como alucinações e sensação de perseguição. Crianças com transtorno bipolar têm sintomas semelhantes a estes citados”, conta a pesquisadora. “Em experimentos realizados com ratos, quando o nível de dopamina aumenta, esses animais também se mostram eufóricos e com comportamento semelhante ao verificado na fase de euforia do transtorno bipolar. Por isso acreditamos que o sistema dopaminérgico tem um papel fundamental na doença”, explica.

A coleta de material será feita nos pacientes atendidos no Lim-21 e no PROMAN, locais onde a psiquiatra atua profissionalmente. Será coletado o sangue dos pais, mães e das crianças, com idade entre 6 e18 anos. Os pais também responderão a questionários. A pesquisa faz parte do pós-doutoramento de Sheila, pela FMUSP, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e tem a participação dos médicos Ana Kleinmam e Beny Lafer.

A médica conta que as crianças com o transtorno, durante a fase depressiva da doença, podem ficar sem se alimentar, totalmente desmotivadas e com pensamentos suicidas, entre outros sintomas; já durante a fase da euforia, elas se transformam totalmente: ficam agitadas, não param de falar a ponto de atrapalharem as aulas.

Lazer

Sheila afirma que há algumas pesquisas americanas que apontam que a criança com transtorno bipolar vem de uma família desorganizada, onde não há atividades de lazer realizadas em conjunto. “Com o projeto poderemos descobrir se as famílias brasileiras são tão prejudicadas quanto as americanas”, aponta.

Os primeiros resultados do estudo deverão estar disponíveis pelo menos em dois anos. Uma das dificuldades, segundo a psiquiatra, é que a pesquisa deve ser feita com a criança com transtorno bipolar, o pai e a mãe. “O índice de divórcios é maior quando um dos cônjuges tem a doença. Então é possível que tenhamos algum tipo de dificuldade para unir as três partes envolvidas na pesquisa”, diz.